Aversão à mudança

Muita gente manifesta aversão à mudança, mesmo que não tenha argumentos para contrariar o que as autoridades implementam de forma a melhorar a vida de todos nós. Oque tenho ouvido sobre os corredores é de bradar ao céus. Há quem critique antes sequer de experimentar, quem transforme qualquer alteração numa ameaça e quem pareça defender a ideia de que tudo deve permanecer exatamente como está, só porque sempre foi assim. Ora, uma cidade não pode ficar refém dos hábitos de quem se recusa a adaptá-los.

Os corredores, como qualquer outra medida que mexa com a circulação, podem e devem ser discutidos. Podem ter problemas, exigir ajustes e até revelar soluções que não funcionam como previsto. É legítimo apontar essas falhas. O que não parece razoável é rejeitar a mudança apenas porque obriga a mudar comportamentos.

Se queremos menos trânsito, mais segurança, transportes públicos mais eficientes e uma cidade mais funcional, alguma coisa terá de mudar. E mudar significa, inevitavelmente, retirar espaço a uns para o atribuir a outros. O espaço urbano é limitado e não pode continuar a ser pensado exclusivamente à medida do automóvel.

Antes de condenar os corredores, talvez fosse mais sensato perceber para que servem, observar os resultados e exigir que sejam corrigidos os problemas que efetivamente existam. Porque uma coisa é contestar uma política pública com argumentos. Outra, bem diferente, é contestá-la porque nos incomoda.

A mudança raramente é confortável. Mas o desconforto de hoje não pode ser argumento suficiente para impedir as soluções para amanhã não seja como ontem.

Luísa Ferreira