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O Dia LN: chegou a hora das decisões

Há visitas que são apenas visitas. Há outras que podem marcar uma mudança. A deslocação do Sr. Ministro da Administração Interna, Luís Neves, à Madeira, por ocasião das comemorações do 148.º aniversário do Comando Regional da PSP, acompanhado pelo Sr. Diretor Nacional da PSP, Luís Carrilho, pode ser uma dessas oportunidades. Talvez por isso este possa ser O Dia LN: LN de Luís Neves, mas também de liderança, mudança e decisões.

Desde a sua tomada de posse, muitos polícias, como eu, acreditámos que Luís Neves poderia ser o Ministro capaz de iniciar uma mudança na Polícia e nas Forças de Segurança, valorizando os profissionais e melhorando as suas condições. Essa expectativa nasceu da esperança de que alguém que conhece a instituição e as dificuldades da profissão pudesse fazer diferente. Por isso, é importante dizê-lo: deixem-no trabalhar.

Quanto às hipotéticas peripécias do percurso recente do Ministro, não são essas que interessam aos polícias. Importa o trabalho que tem pela frente e a capacidade de resolver os problemas.

E problemas não faltam no Comando Regional da PSP Madeira: falta de efetivos, pressão operacional, dificuldades com horários e folgas, instalações que necessitam de intervenção, falta de meios e equipamentos e dificuldade em atrair e fixar polícias na Região.

A falta de efetivos não se resume a números. Traduz-se em polícias que fazem mais horas, abdicam de folgas, condicionam a vida familiar e cumprem mais missões. Quando esta realidade se prolonga, a capacidade operacional fica condicionada e a qualidade do serviço é afetada.

A insularidade acrescenta dificuldades. A Madeira tem especificidades, custos e constrangimentos próprios que tornam mais difícil atrair e fixar profissionais. Por isso, a criação de um mecanismo ou subsídio de fixação para os polícias colocados na Região merece ser discutida. Não se trata de privilégios, mas de reconhecer uma realidade específica que exige respostas adequadas.

Há ainda matérias que aguardam respostas: valorização remuneratória, suplementos, funções de maior exigência e risco, situação dos operadores do 112 e infraestruturas policiais. O próprio Ministro já observou, no Porto Santo, algumas das condições em que os polícias trabalham. Ao visitar outras instalações, verificará que essa realidade não é exclusiva e que existem esquadras em condições semelhantes.

É aqui que a visita ganha significado. Luís Neves está na Madeira numa data de celebração, mas tem a oportunidade de olhar para o futuro. Não podemos exigir uma Polícia presente, disponível e operacional sem garantir efetivos, meios, instalações e condições de trabalho adequadas.

Esta não deve ser apenas mais uma deslocação ministerial. Deve ser uma oportunidade para ver, ouvir, avaliar e decidir. Espera-se que o Ministro identifique prioridades e faça avançar dossiers. Porque um compromisso vale mais do que uma promessa, um calendário mais do que uma intenção e uma decisão mais do que qualquer cerimónia.

Luís Neves tem uma vantagem: conhece a Polícia por dentro e sabe o que significa trabalhar no terreno, sob pressão. Por isso, a esperança permanece. Muitos polícias continuam a acreditar que pode iniciar uma mudança. Deixem-no trabalhar.

O Comando Regional precisa de efetivos, investimento, valorização e respostas às especificidades da insularidade. Os polícias precisam de sentir que o Estado reconhece o esforço que lhes é exigido. A população precisa de uma Polícia forte, motivada e preparada.

Hoje, dia 1 de setembro, Luís Neves está na Madeira para assinalar os 148 anos do Comando Regional da PSP, acompanhado pelo Diretor Nacional da PSP, Luís Carrilho. Será um dia de homenagem e orgulho, mas poderá ser também O Dia LN: LN de Luís Neves, de liderança, mudança e decisões.

Senhor Ministro, seja bem-vindo à Madeira. Conheça a realidade, ouça quem está no terreno, avalie os dossiers e decida. Deixem-no trabalhar, mas que esse trabalho possa traduzir-se em resultados.

O Dia LN pode ser apenas uma data. Ou pode ser o dia de uma mudança que a Polícia e as Forças de Segurança esperam: uma mudança que todos esperamos há demasiado tempo.