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Madeira

Paulo Portas e António Martins da Cruz debatem no Funchal a nova ordem mundial

O ex-vice-primeiro ministro e o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros são os oradores convidados das próximas Conferências da Autonomia, dia 2 de Outubro, na Casa da Luz

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Os desafios globais da segurança, defesa e geopolítica estarão sobre a mesa num debate com moderação de Nuno Teixeira

Paulo Portas e António Martins da Cruz são os oradores convidados das próximas Conferências da Autonomia, ciclo integrado nas comemorações dos 50 anos da Autonomia da Região Autónoma da Madeira, subordinadas ao tema ‘Há uma nova ordem mundial? Desafios globais da segurança, defesa e geopolítica’. A sessão realiza-se a partir das 10 horas no próximo dia 2 de Outubro, no auditório do Museu da Electricidade – Casa da Luz, no Funchal, com moderação do advogado Nuno Teixeira.

Paulo Portas construiu uma das trajectórias mais singulares da vida pública portuguesa, passando pelo jornalismo, pela liderança partidária, pelo Governo e, mais recentemente, pela análise geopolítica. Nascido em Lisboa, em 1962, licenciou-se em Direito, mas iniciou-se cedo no jornalismo. Em 1988 fundou, com Miguel Esteves Cardoso, o semanário O Independente, de que foi director e que se tornou uma publicação marcante e polémica da democracia portuguesa.

A entrada na política ocorreu nos anos 90. Foi deputado, líder parlamentar e presidente do CDS-PP, cargo que exerceu em dois períodos. No Governo, foi ministro da Defesa Nacional, entre 2002 e 2005, e ministro dos Negócios Estrangeiros, a partir de 2011. Em 2013 assumiu a vice-presidência do Governo de Pedro Passos Coelho, com responsabilidades na coordenação económica. Abandonou a liderança do CDS em 2016 e afastou-se da política partidária activa.

Desde então, tem desenvolvido actividade como comentador, professor e consultor, concentrando a sua intervenção pública na geopolítica, geoeconomia, relações internacionais, segurança e defesa. A sua leitura da actual conjuntura parte da ideia de que o sistema internacional criado no pós-Segunda Guerra Mundial está em transformação e perdeu capacidade para enquadrar a disputa entre grandes potências.

Portas tem chamado a atenção para a crescente competição entre Estados Unidos e China, para o regresso da Rússia como potência militar, para a afirmação da Índia e de potências médias e para o aumento da influência dos países do Golfo. Na sua análise, economia e segurança estão cada vez mais interligadas: energia, tecnologia, comércio, cadeias de abastecimento e capacidade militar passaram a integrar uma mesma disputa estratégica.

António Martins da Cruz, antigo ministro dos Negócios Estrangeiros e diplomata português, tem vindo a assumir uma intervenção regular no debate sobre a transformação da ordem internacional, defendendo que o mundo atravessa uma profunda reconfiguração do poder, marcada sobretudo pela competição entre Estados Unidos, China e Rússia.

Com uma carreira diplomática iniciada em 1972, Martins da Cruz passou por Moçambique, Cairo, Genebra, Bruxelas e Madrid. Foi representante permanente de Portugal junto da NATO e da União da Europa Ocidental, assessor diplomático de Cavaco Silva durante uma década e ministro dos Negócios Estrangeiros entre 2002 e 2003, no Governo de Durão Barroso.

Nas suas intervenções mais recentes, sustenta que a guerra na Ucrânia acelerou a transformação do sistema internacional e voltou a colocar a segurança europeia no centro das preocupações. Considera que a NATO continua a ser o principal garante da segurança portuguesa e defende a manutenção de uma relação estreita com os Estados Unidos, mesmo perante a necessidade de a Europa reforçar as suas próprias capacidades militares.

As perspectivas sobre a geopolítica mundial serão partilhadas sem tabus pelos dois comentadores e analistas nesta sessão do ciclo de Conferências da Autonomia, iniciativa promovida pela Estrutura de Missão para as Comemorações do 50.º aniversário da Autonomia da Madeira que pretende reflectir sobre os principais marcos, desafios e conquistas que têm moldado a Autonomia da Região ao longo das últimas cinco décadas.