DNOTICIAS.PT
País

Músico recordado por "tantas e tão boas canções" e sentido de liberdade

None
Foto Arquivo/ASPRESS

O sentido de liberdade de Jorge Palma e as "tantas e tão boas canções" que compôs são lembradas hoje por instituições como o Coliseu do Porto e o Museu do Aljube, em Lisboa, numa reação à morte do músico.

O Museu Bordalo Pinheiro, na capital, por seu lado, fala da música do cantautor, "que muitas vezes é um manguito às coisas más da vida". Por isso, "hoje, apetece-nos fazer um manguito à tua morte", escreve o museu nas suas redes sociais. E lembra a participação de Jorge Palma na exposição "Toma! 150 anos de Zés Povinhos", inaugurada no ano passado, e para a qual o músico aceitou fazer o seu "manguito".

Jorge Palma morreu na noite de segunda-feira, aos 76 anos.

"A voz, o piano e a guitarra de Jorge Palma (1950-2026) ainda ecoam nas nossas paredes, nas nossas memórias - são tantas, e tão boas. Será sempre um dos nomes maiores da nossa música", escreve o Coliseu do Porto, num comunicado publicado na sua página no Facebook.

Esta sala de espetáculos recorda em imagens o concerto que Jorge Palma aí deu em 2016, e a sua passagem pelo Concerto Promenade, em 2025, com "as suas canções clássicas favoritas e uma pérola: o seu cartão de estudante do Conservatório".

O Museu do Aljube Resistência e Liberdade, em Lisboa, "presta homenagem a Jorge Palma", que "conciliou, como poucos, a formação musical clássica e o piano com o Rock'n'Roll e a guitarra, numa sede de Liberdade que o levou à estrada".

O museu recorda o exílio, na Dinamarca, antes do 25 de Abril, o regresso, depois, o primeiro álbum do músico, "Com uma Viagem na Palma da Mão", "refletindo o seu percurso e a ambiência político-social da época", e a sua participação no Festival da Canção de 1975 com "O Pecado (do) Capital".

"Livre, rebelde, hedonista e desalinhado, mas nem por isso menos mordaz ou crítico, deu sempre a sua voz pela Paz, a Liberdade, o Antifascismo e as causas de Abril", conclui o museu, nas suas redes sociais.

O sentido de liberdade de Jorge Palma é também partilhado pelos seus pares, nas suas páginas, como Ana Bacalhau ("a comunidade que a música do Jorge cria é bonita, humana, acolhe todos, os caídos, os proscritos, os mais frágeis"), João Pedro Pais ("eterno sorriso de adolescente"), Gil do Carmo ("o som de hoje é do grande Mestre") e pelos Quinta do Bill, que destacam "a memória da sua irreverência, da sua voz única e da sua imensa generosidade".

O apresentador Júlio Isidro escreve no Facebook: "Jorge Palma vencido pelo coração, aquilo que ele mais nos deu nas suas palavras musicadas com o afeto de quem gostava mais dos outros do que de si próprio. [...] É verdade que a gente vai continuar...até dar. Mas o bairro do nosso amor está a ficar tristemente deserto".

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, escreveu nas redes Facebook e X que a cidade "acordou mais silenciosa e com o coração mais frágil", porque "partiu Jorge Palma, o eterno rapaz do piano, o poeta vagabundo que fez das nossas ruas o seu palco e das nossas vidas a sua grande canção".

"Jorge Palma conhecia o pulsar desta cidade como ninguém", prossegue Carlos Moedas. "Dedicou-lhe acordes, madrugadas e uma honestidade desarmante que nos ensinou a rir dos dias errados e a abraçar o recomeço em cada 'Primeiro Dia'. Foi o músico de rua em Paris, o mestre do Conservatório, a voz rebelde e livre que nunca se cansou de defender a cultura e a liberdade. Lisboa chora hoje um dos seus filhos mais brilhantes, mas a sua música --- essa --- permanece connosco, tatuada na alma de Portugal. [...] Obrigado por tanto, Jorge".

A Festa do Avante!, que contou com Jorge Palma em algumas edições, escreveu nas redes sociais: "Jorge Palma representa de forma insubstituível muito daquilo que é a Festa do Avante!: a amizade, o amor, o toque quente da pele no verão, o cobertor de esperança para atravessar o inverno, a vida que temos e a vida que queremos".

"Mais do que contarmos as vezes que pisou este chão, lembramos essa força que sempre nos deu para tirar a mão do queixo, para sermos quem somos, para nos cantarmos uns aos outros (toda a gente trata a gente toda por igual) e continuarmos a construir esse lugar para onde queremos ir morar, numa estrada que vamos percorrendo juntos, sem parar", conclui.

A Comissão para a Igualdade entre Mulheres e Homens também reagiu à morte de Jorge Palma, apelando às suas canções, com o poema de "Bairro do Amor" ("No bairro do amor o tempo morre devagar...") e a garantia de que, "enquanto houver estrada para andar, a gente vai continuar".

A plataforma RTP Palco, que hoje abre com uma imagem em grande plano de Jorge Palma, escreveu ao início do dia de hoje, nas redes sociais: "Esta noite estamos frágeis".

Jorge Palma, um dos cantores e compositores mais marcantes da música portuguesa, nasceu em Lisboa, em 04 de junho de 1950. Morreu na segunda-feira à noite, aos 76 anos.