A liberdade
Segundo o dicionário Priberam a definição “tout court” de LIBERDADE é a seguinte:
• A LIBERDADE é o direito e a capacidade de um indivíduo agir por conta própria, ou de acordo com a sua própria vontade, autonomia e discernimento de fazer escolhas e expressar as suas ideias, livremente, desde que, respeite os limites da lei e os direitos dos outros.
Nos últimos dias tive uma série de pessoas que me ligaram ou me questionaram, sobre uma colaboração que mantive com o Diário de Notícias durante 31 meses, e se, alguma vez tinha sentido algum constrangimento, limite ou censura em relação ao que escrevi e à minha liberdade de expressão?
Confesso que de início, fui apanhado de surpresa e não estava a perceber a razão ou o sentido da questão. Fizeram-me o favor de explicar, que era por causa de algo, publicado no facebook … Aqui, muito pior, quem me conhece e está mais próximo de mim, sabe perfeitamente que em circunstâncias normais, não frequento as redes sociais.
Perguntar-me-ão porquê?
Poderia dar uma série de explicações e razões, mais conservadoras, mais modernas, mais engraçadas, ou até discutíveis, não me custa admitir!
Mas, remeto-vos para o primeiro parágrafo e para a definição de LIBERDADE, e isso basta!
Acrescentaria e porque pese os meus defeitos, que também os tenho, procurei ao longo da vida ser sempre frontal, leal e sincero nos meus assuntos, e tenho de confidenciar que abomino a covardia e os comportamentos que daí decorrem; especialmente, daqueles ou daquelas, que expressam “opiniões” muito musculadas e fortes, mas, a coberto do anonimato ou das tais redes que não frequento.
Mais, ainda que sabendo que a ignorância é atrevida e a estupidez continua sem pagar impostos, fico horrorizado, com a facilidade que pessoas que não dominam alguns assuntos, se permitem debitar ou dar opinião sobre temas, que seria muito melhor estarem calados. Dar a “sua opinião” é uma coisa, falar sobre o que “se acha saber” é outra!
Enfim, têm uma visão e interpretação muito própria da tal LIBERDADE!
Felizmente, já Jesus Cristo disse: - “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” , capítulo 23, versículo 34 da Bíblia!
Aos que me questionaram, obviamente, respondi com a verdade: - NUNCA, em circunstância nenhuma! Até quando me excedia nos caracteres que me tinham sido atribuídos e me desculpava, SEMPRE, os acomodaram sem problema nenhum; também, verdade seja dita, tive sempre a noção, que fui convidado e nunca deixei de saber ocupar o meu lugar …!
Para que se perceba melhor, a minha visão do assunto: - Há muitos anos um grupo de Amigos, já meio “animados” bateram-me à porta de casa para tomarem uma bebida. Recebi-os e servi-os o melhor que sabia e pude! Acompanhava-os um indivíduo que não tinha confiança comigo para frequentar a minha casa! Era, uma figura pública e atribuía-se uma importância que efectivamente não tinha, além de que a educação deixava muito a desejar.
Em consequência disso, e devido à animação, começou a ser inconveniente … Levantei-me, peguei-lhe no bracinho, levei-o até à porta da rua e em bom madeirense - pu-lo no “olho da rua”. Em silêncio, mas, tão simples quanto isso!
No dia seguinte acanalhado, procurou-me para se desculpar. Expliquei-lhe, que além das normas de urbanidade que a educação exige e recomenda, na minha casa, quem impõe as regras sou eu: Simples!
Por caridade cristã, desculpei-o, mas, o que é facto na minha casa nunca mais entrou!
Aqui chegado, devo fazer uma declaração de princípio, esta carta não pretende atingir ninguém em particular, até porque desconheço, as razões que estão por detrás das atitudes que cada um e em cada momento decide tomar; muito menos fazer a defesa do DN, que tem concerteza, quem o faça e melhor do que eu.
Além disso, respeito muito quem pensa pela sua cabeça, independentemente de concordar ou não com o que expressa ou pratica.
Agora também e porque penso pela minha, e como algumas pessoas quiseram perguntar sobre o assunto, decidi fazer este apontamento.
Conheço várias pessoas que são colunistas há muitos anos do DN e para me elucidar e certificar melhor, tomei a liberdade de contactar alguns e de colocar a mesma questão; TODOS, sem excepção, me disseram o mesmo. Inclusivamente, um deles respondeu-me: - Se, algum dia me tratassem mal e não respeitassem a minha independência, nunca mais lá escrevia uma linha.
Cá para nós, seria também, o que eu faria, se tal acontecesse! Sempre, dentro do tal conceito e definição de LIBERDADE!
Resolvi questionar o Google: - Quem tem uma coluna de opinião num jornal pode escrever o que quiser?
Respondeu-me: - Não, quem tem uma coluna de opinião, não pode de forma nenhuma escrever o que quiser!
Embora, o espaço seja dedicado à livre expressão do autor, existem limites éticos, legais e contratuais importantes, entre outros:
• Responsabilidade legal, limites deontológicos, etc.
• Linha editorial e regulação - Os órgãos de comunicação social possuem códigos de conduta, estatutos editoriais e livros de estilo que os autores devem respeitar.
• O papel do editor: - Os editores e directores dos jornais têm o poder (e o dever) de rever, sugerir alterações ou até recusar a publicação de textos que violem as normas da casa, os direitos humanos ou que não cumpram um mínimo de sustentação factual.
Apesar de ser o que eu pensava e achava, fiquei ainda, mais e melhor esclarecido!
João Abel de Freitas