Bélgica regista 150 alertas de drones em zonas sensíveis
Governo preocupado com ameaças híbridas
A Bélgica registou este ano cerca de 150 alertas considerados credíveis sobre avistamentos de drones suspeitos "sobre ou perto de" bases militares, instalações nucleares e outras infraestruturas sensíveis, segundo uma contagem hoje divulgada pela radiotelevisão pública RTBF.
Perante este número, os liberais francófonos do Movimento Reformador (MR), que integram a coligação governamental belga, pediram hoje ao primeiro-ministro, o nacionalista flamengo Bart De Wever, que convoque "sem demora" uma reunião do Conselho Nacional de Segurança para analisar o nível da ameaça e adotar medidas.
"A Bélgica não pode pensar que está a salvo. Enquanto sede das instituições europeias e da NATO, o nosso país alberga infraestruturas de transporte, energéticas, digitais e logísticas essenciais à escala europeia. Esta posição estratégica exige uma vigilância reforçada e uma preparação à altura dos riscos", defendeu o MR, num comunicado.
O pedido dos liberais francófonos surge num contexto de crescente preocupação na União Europeia (UE) com eventuais ações de espionagem, sabotagem, ingerência ou desestabilização.
"A Europa confronta-se com uma preocupante intensificação das ameaças híbridas", acrescentou o MR, no mesmo dia em que a RTBF revelou novos pormenores sobre uma série de sobrevoos noturnos de drones este verão nas imediações do aeroporto de Charleroi, a sul de Bruxelas.
Alguns desses aparelhos foram avistados perto de instalações de empresas ligadas à aviação militar e que participam em programas estratégicos, segundo uma investigação da televisão pública francófona.
Os incidentes levaram à mobilização de um dispositivo pouco habitual envolvendo a Polícia Federal e o Exército, equipados com sistemas de deteção e interceção, incluindo um inibidor de drones e uma aeronave remotamente pilotada destinada a missões de serviços secretos, vigilância e reconhecimento, segundo a estação televisiva.
Apesar dos meios utilizados, as forças de segurança não conseguiram neutralizar qualquer aparelho nem identificar os seus pilotos, pelo que é difícil descobrir a origem dos voos.
A Procuradoria Federal, que mantém atualmente abertos 26 inquéritos relacionados com drones, está também a investigar estes episódios.
A Bélgica - sede da Euroclear, onde continuam bloqueados cerca de 185 mil milhões de euros em ativos do Banco Central da Rússia - não imputou oficialmente estes sobrevoos a nenhum Estado, mas eles obrigaram, em diferentes ocasiões, à interrupção temporária do tráfego aéreo nos aeroportos de Bruxelas e Charleroi.
No entanto, o ministro da Defesa belga, Theo Francken, e o chefe das Forças Armadas, o general Frederik Vansina, já tinham sugerido publicamente, após episódios semelhantes anteriores, que poderia tratar-se de operações de desestabilização realizadas a mando da Rússia.