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Cruz Vermelha alerta em Pequim para "linha vermelha moral" nas armas autónomas

Foto DR/Depositphotos
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O vice-presidente do Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV), Jürg Lauber, alertou hoje, em Pequim, que o mundo está "perigosamente perto de cruzar uma linha vermelha moral", referindo-se à possibilidade de máquinas atacarem seres humanos de forma autónoma.

Lauber interveio numa sessão plenária do Fórum Xiangshan, principal encontro de diplomacia militar organizado pela China, sobre os riscos e desafios para a segurança na Ásia-Pacífico, na qual pediu para "preservar o julgamento humano" sobre o uso da força à medida que os sistemas de armas se tornam cada vez mais autónomos.

O representante do CICV recordou que a presidente da organização e o secretário-geral das Nações Unidas renovaram, no mês passado, o apelo à adoção de normas internacionais sobre sistemas de armas autónomas e defendeu um "instrumento juridicamente vinculativo", com proibições e restrições claras.

Lauber alertou ainda que a disponibilidade de drones de baixo custo está a mudar a forma como as hostilidades são conduzidas e a esbater as linhas da frente, embora tenha recordado que qualquer arma deve ser utilizada em conformidade com o direito internacional humanitário.

O responsável do CICV manifestou também preocupação com a proliferação de conflitos armados, a crescente normalização da guerra e a deterioração do respeito pelas regras destinadas a limitar os seus efeitos sobre civis, feridos e detidos.

Neste sentido, mencionou conflitos como os de Gaza, Iémen, Líbano, Myanmar (antiga Birmânia), Ucrânia, Sudão, Afeganistão e Síria, e defendeu que o sofrimento dos civis não deve ser encarado como uma consequência inevitável da guerra.