Vinho Madeira regressa mais encorpado e envelhecido após viagem marítima aos EUA
As pipas foram hoje desseladas no Instituto do Vinho da Madeira, depois de terem viajado por diversos portos norte-americanos, das Bermudas e dos Açores
Duas pipas de Vinho Madeira viajaram durante cinco meses a bordo do navio NRP Sagres, no âmbito da comemoração dos 250 anos da Independência dos Estados Unidos, tendo hoje regressado com um vinho mais encorpado e envelhecido.
As pipas foram hoje desseladas no Instituto do Vinho da Madeira, no Funchal, depois de terem viajado por diversos portos norte-americanos, das Bermudas e dos Açores, representando Portugal no evento comemorativo do 250.º aniversário da independência dos Estados Unidos da América.
O vinho esteve a bordo, ao longo de cinco meses, no navio da Marinha Portuguesa, tendo sido recriado o tradicional "Vinho da Roda", que diz respeito às longas travessias marítimas feitas em séculos passados.
Rita Alves, chefe de câmara do Instituto do Vinho da Madeira salientou que este vinho, da casta Verdelho, tem aromas cítricos e florais, tendo regressado "muito mais envelhecido, com mais aromas de baunilha, devido à madeira, e aromas cítricos já confitados, que é natural e demonstra já um envelhecimento".
"Nota-se uma maior concentração dos aromas e dos sabores. O vinho que cá ficou também estava muito equilibrado, notava-se que era um vinho que não estava tão evoluído", acrescentou.
O comandante do navio Escola Sagres da Marinha Portuguesa, José Luís Sousa, disse que, estando a celebrar a independência dos EUA, "faria todo o sentido levar Vinho Madeira para recriar o Vinho da Roda, mas também para promover o Vinho Madeira e este ato histórico dos pais fundadores dos Estados Unidos brindarem com Vinho Madeira".
Além destas duas pipas, a Marinha Portuguesa levou várias garrafas para que os brindes nos vários eventos fossem feitos com Vinho Madeira, de modo a celebrar o ato histórico e, por outro lado, a promover o produto.
Este vinho "encontrou um pouco de tudo", sublinhou o comandante, referindo que passou por calmaria, tempestades, tempo frio e quente, húmido e seco.
"E é isso que faz com que ele envelheça de maneira diferente. O balanço, o ar marinho, as diferenças de humidade, de temperatura, fazem com que ele envelheça de maneira diferente para melhor", assinalou, acrescentando que o aroma e a cor ficam "completamente diferentes".
O secretário regional da Agricultura e Pescas, que tutela o Instituto do Vinho, destacou a importância que esta recriação tem "do ponto de vista histórico, mas também do ponto de vista promocional".
"Nós sabemos que nos dias que correm para se vender um produto é fundamental contarmos uma história, sabemos a importância da narrativa ao nível da promoção e nós estamos aqui a recontar uma história com a ajuda da Marinha Portuguesa, com a ajuda do navio Escola Sagres", apontou Nuno Maciel.
O governante disse que estas iniciativas ocorrerão sempre que se justifiquem, alertando que "não devem ser banalizadas, devem ter contextos, devem ter momentos".
O secretário regional indicou ainda que este vinho que esteve em viagem será utilizado para criar uma edição especial e ser um vinho promocional dos 250 anos da Independência dos EUA.