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Discurso de ódio nas redes sociais em Espanha aumentou 76% em Agosto

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Foto Depositphotos

O discurso de ódio nas redes sociais em Espanha aumentou 76% em agosto, coincidindo com a crise de Ceuta, disse hoje o Observatório Espanhol do Racismo e Xenofobia (OBERAXE).

Foram detetados em agosto no Facebook, Instagram, X, TikTok e Youtube 101.025 "conteúdos de discurso de ódio e narrativas discriminatórias", um número "notavelmente superior ao registado em meses anteriores", disse o OBERAXE no mais recente boletim mensal de monitorização das redes sociais em Espanha, agora divulgado.

Os 101.025 conteúdos detetados em agosto com a ferramenta FARO, desenvolvida pelo governo espanhol, traduzem-se num aumento de 76% relativamente a julho, segundo os dados o observatório.

"Durante o mês de agosto, 39% dos conteúdos analisados estiveram associados ao episódio da travessia da fronteira em Ceuta", em 30 e 31 de julho, que gerou "um elevado volume de mensagens dirigidas especialmente contra os migrantes e as pessoas do norte de África, bem como contra crianças e adolescentes não acompanhados, um grupo particularmente vulnerável", lê-se no mesmo relatório.

Segundo o OBERAXE, as pessoas do norte de África e os imigrantes em geral, seja qual for a origem, são sempre o principal alvo das mensagens de ódio detetadas nas redes sociais em Espanha, mas em agosto aumentaram os conteúdos nos dois casos.

As pessoas do norte de África foram o alvo de 72% dos conteúdos de ódio detetados em agosto, quando em julho essa percentagem foi 68%.

Já as mensagens dirigidas contra imigrantes em geral aumentaram de 20% em julho para 22% em agosto, com o observatório a insistir na "maior presença de conteúdos" que têm como alvo "meninos, meninas e adolescentes não acompanhados" possivelmente relacionada com o ocorrido em Ceuta, o enclave espanhol no norte de África em que entraram ilegalmente mais de 70.000 pessoas no final de julho, incluindo milhares de menores de idade sozinhos, que permanecem na cidade.

Estes conteúdos detetados em agosto, em 37% dos casos "desumanizam ou degradam gravemente" as pessoas que têm como alvo, "incitam à expulsão" (15%) ou incitam mesmo à violência (3%), segundo o OBERAXE, que realçou ainda mensagens que celebraram ataques contra os migrantes que estão em Ceuta e "promoviam novas ações hostis".