Cinco civis mortos em bombardeamentos da aviação governamental em Mianmar
Pelo menos cinco civis foram mortos nos últimos dias em novos bombardeamentos do exército de Mianmar, antiga Bimânia, no estado de Rakhine (Arakan), no oeste do país, segundo milícias rebeldes que pegaram em armas contra o governo militar.
O Exército de Salvação Rohingya de Arakan reportou a morte de duas pessoas e mais três feridas num atentado com bomba por um caça na cidade de Ponnagyun no domingo. Entre os feridos estavam uma menina de nove anos e uma pessoa idosa.
Antes, um drone suicida carregado de explosivos atingiu um mosteiro onde os civis se abrigavam na cidade vizinha de Kyaukseik. No ataque, perpetrado na noite de sexta-feira, uma mulher morreu uma mulher e a sua filha ficou ferida.
Estes ataques terão sido uma retaliação pela ofensiva das milícias pela democracia Operação 4926, que recentemente conseguiram tomar o controlo das cidades de Ponnagyun e Ramree, que agora estão sob controlo do Exército de Salvação dos Rohingyas de Aracão.
Ponnagyun é um ponto-chave que permite chegar à capital provincial de Rakhine, Sittwe. Ramree, por sua vez, tem uma zona económica especial e um porto comercial com interesses chineses, concretamente em Kyaukphyu.
Outro civil, um homem de 59 anos, morreu e outra pessoa ficou ferida num ataque de dois aviões de combate militares que bombardearam a localidade de Taungup no sábado. Os projéteis destruíram duas casas e também mataram gado.
Entretanto, na vizinha localidade de Gwa, morreu um homem de 85 anos e outra pessoa ficou ferida num bombardeamento na quinta-feira que destruiu nove habitações.
Mianmar, como atualmente se chama a Birmânia, está mergulhada numa guerra civil iniciada após o golpe de Estado de 2021, que colocou no poder o atual presidente, Min Aung Hlaing.
Desde então, mais de 8.300 pessoas morreram em todo o país no âmbito das operações levadas a cabo pela junta e perto de 22.600 ainda continuam detidas, segundo dados da Associação de Assistência para Presos Políticos da Birmânia (AAPP).
O Governo de Unidade Nacional, composto pelas autoridades democráticas birmanesas no exílio, denunciou que o Exército da Birmânia cometeu dezenas de massacres de civis desde a tomada de poder pelo Exército, enquanto o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, criticou repetidamente a "impunidade" com que atua a junta militar birmanesa, chegando a acusá-la de criar uma crise política e humanitária "perpétua".