"Aviação passou por profunda transformação" após o 11 de Setembro
Os atentados de 11 de setembro de 2001 tiveram um impacto "muito forte" na aviação a nível mundial, tendo a atividade passado por uma "profunda transformação", disse à Lusa Rafael Esteves, 'Head of Security' da TAP.
Em respostas por escrito, o responsável da companhia aérea lembrou que "o 11 de setembro teve um impacto muito forte na aviação a nível mundial", tendo a TAP sido também afetada.
"Houve uma quebra imediata na procura e um aumento muito significativo das preocupações com a segurança, com novas regras e procedimentos a serem implementados", destacou.
Rafael Esteves apontou o "reforço adicional dos controlos de segurança" que teve "impacto direto na forma como os passageiros, bagagem, funcionários e artigos passaram a ser controlados", num período "em que a aviação teve de se adaptar rapidamente para recuperar a confiança dos passageiros e responder a uma nova realidade de segurança".
O mesmo responsável deu conta de que o reforço das medidas acompanhou "não só a evolução das ameaças, mas também a crescente complexidade e exigência da operação aérea".
"Depois do 11 de setembro, foram introduzidas mudanças significativas, como as portas de 'cockpit' reforçadas, novos sistemas de deteção de explosivos, 'scanners' e procedimentos de controlo e rastreio muito mais rigorosos. Foram respostas a uma ameaça concreta, mas marcaram também uma mudança na forma como se passou a encarar a segurança da aviação", explicou.
Além disso, evoluíram a "legislação e a regulamentação da segurança da aviação", tornando-se "mais abrangentes e exigentes", acompanhadas de um reforço na formação.
"À medida que os procedimentos e os requisitos de segurança se tornaram mais complexos, tornou-se fundamental garantir que os profissionais estão devidamente preparados, não apenas para cumprir as regras, mas também para compreender os riscos, reconhecer comportamentos ou situações suspeitas e saber atuar perante diferentes cenários", disse Rafael Esteves.
Para o responsável, talvez uma das principais mudanças destes 25 anos "tenha sido precisamente a passagem de uma lógica essencialmente reativa para uma abordagem cada vez mais preventiva, baseada na análise contínua dos riscos e das ameaças".
Lembrou que a aviação é "um ecossistema extremamente complexo", envolvendo reguladores, autoridades, aeroportos, companhias aéreas, prestadores de serviços e muitos outros intervenientes.
"Para as companhias aéreas, esta complexidade é particularmente evidente, uma vez que têm de garantir o cumprimento dos requisitos e das medidas de segurança definidos pelas diferentes autoridades que regulam os países e os aeroportos para onde operam", destacou, indicando ainda que a segurança é "um trabalho contínuo".
Rafael Esteves disse que o reforço da segurança significa "mais controlos, mais procedimentos e também uma maior necessidade de coordenação", reconhecendo que "algumas destas medidas tornam os processos mais demorados e exigentes".
"O desafio tem sido encontrar o equilíbrio entre segurança, eficiência e conforto para o passageiro", referiu.
Além disso, destacou, "a segurança deixou de ser vista apenas como uma responsabilidade das equipas ou dos profissionais diretamente ligados à segurança", e agora é de todos os que fazem parte da operação.
Rafael Esteves destacou ainda que "a tecnologia tem evoluído muito" e que hoje há "'scanners' mais avançados, sistemas de deteção de explosivos e soluções biométricas que permitem reforçar a segurança sem necessariamente impactar negativamente o passageiro". Para o responsável, devem ser mantidas "as medidas que continuam a ser eficazes", mas deve-se "aproveitar a inovação para melhorar aquelas que podem ser otimizadas".
Para os próximos 25 anos, Rafael Esteves acredita que "vamos assistir a uma transformação muito grande", apontando que "a tecnologia, nomeadamente a inteligência artificial, a automação e a análise de dados, vai ter um papel cada vez mais importante".
Paralelamente, o mundo atual está "mais complexo", disse, marcado por "questões geopolíticas e por novas ameaças, incluindo ameaças híbridas, que exigem uma capacidade de antecipação cada vez maior e coordenação e partilha entre diversas entidades".
O responsável alertou que haverá "um crescimento significativo do número de passageiros, o que vai obrigar a encontrar formas mais eficientes de gerir aeroportos e operações".