Viver de resultados

Mudou o treinador, mas o Nacional não mudou. Ou, pelo menos, não mudou aquilo que mais preocupa. A derrota em casa por 1-3 frente ao Alverca é mais do que um resultado negativo: é um sinal de que o problema poderá estar muito para além de quem ocupa o banco.

Quando uma equipa muda de treinador e, logo no jogo seguinte em casa, volta a revelar fragilidades, dificuldades de resposta e incapacidade para controlar um adversário, fica uma pergunta inevitável: quantas mudanças serão necessárias até se perceber que talvez não seja apenas o treinador que precisa de mudar?

O futebol não vive de explicações, vive de resultados. E o Nacional está a acumular razões para inquietação. A equipa parece continuar à procura de uma identidade, de confiança e, sobretudo, de capacidade para reagir quando o jogo não corre de feição. Trocar o treinador pode alterar métodos, discursos e algumas opções, mas não fabrica, por decreto, consistência competitiva.

O novo técnico precisa naturalmente de tempo. Mas o Nacional não pode pedir tempo ao campeonato. Cada jornada sem pontos aumenta a pressão, e cada derrota em casa torna mais pesada a obrigação de recuperar fora. A margem de erro está a diminuir e a paciência dos adeptos também.

Mais do que procurar culpados, importa encontrar respostas. Porque se a solução para os problemas do Nacional se resume a mudar quem se senta no banco, corre-se o risco de estar apenas a trocar o mensageiro sem resolver a mensagem. E o campeonato não espera por novas experiências.

Luís Rodrigues