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Israel confirma destruição de túneis do Hezbollah no sul do Líbano

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FOTO ABIR SULTAN/EPA

Israel confirmou hoje a destruição de uma alegada rede de túneis do grupo xiita Hezbollah na cordilheira de Ali Taher, no sul do Líbano, após uma semana de operações, segundo o gabinete do primeiro-ministro israelita.

"Em conformidade com as diretrizes do primeiro-ministro e do ministro da Defesa [Israel Katz], o exército israelita destruiu a infraestrutura subterrânea da organização terrorista Hezbollah na cordilheira de Ali Taher, concluindo assim o estabelecimento da zona de segurança no sul do Líbano", informou o gabinete de Benjamin Netanyahu em comunicado.

Segundo as autoridades israelitas, a rede de túneis é uma "infraestrutura estratégica construída ao longo de duas décadas, financiada e projetada pelo regime terrorista iraniano", que permite ao Hezbollah ter uma base operacional para "a conquista da Galileia" --- referindo-se à histórica região montanhosa no norte de Israel --- e controlar os movimentos das suas tropas em Metula e Kiryat Shmona.

"A sua destruição completa a conquista do controlo operacional na cordilheira de Ali Taher: acima e abaixo do solo", afirmou o Governo israelita, apenas uma semana depois de o exército relatar o início dos trabalhos para garantir a segurança de dois túneis subterrâneos.

A agência de notícias estatal libanesa (NNA) também noticiou a realização de uma operação de detonação na zona da cordilheira de Ali al-Taher, na região de Nabatieh.

Um correspondente da agência France-Presse (AFP) sentiu abalos antes de ouvir uma forte explosão, e outro relatou que as ondas de choque atingiram a cidade de Sidon, no sul do país, situada a cerca de 40 quilómetros da capital libanesa, Beirute.

Esta operação ocorre depois de as forças israelitas terem assumido o controlo do estratégico Castelo de Beaufort, localizado nas margens do rio Litani.

Foi um dos locais centrais da guerra do Líbano de 1982, palco de combates entre o exército israelita e a Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

O Líbano foi arrastado pelo Hezbollah para a nova guerra na região ao retomar, no início de março, ataques aéreos contra o território israelita, como retaliação da ofensiva israelo-americana contra o seu aliado iraniano.

Israel respondeu com bombardeamentos intensivos no Líbano e expandiu as posições militares que já mantinha no sul do país desde o conflito anterior, provocando mais de 4.300 mortes e deixando acima de um milhão de deslocados, segundo as autoridades de Beirute.

Israel e Líbano, que não têm relações diplomáticas, iniciaram um diálogo direto nos últimos meses com o patrocínio dos Estados Unidos, que conduziu a um cessar-fogo, mas o Hezbollah não reconhece nenhum entendimento com Telavive enquanto permanecerem tropas israelitas no sul do Líbano, tal como não aceita o desarmamento voluntário das suas milícias.

Os representantes libaneses e israelitas alcançaram um acordo-quadro em junho, que prevê a colocação de tropas do exército regular de Beirute em zonas-piloto no sul do Líbano, das quais o exército israelita deverá retirar-se, mas os relatos dos confrontos prosseguem.

O Exército libanês indicou na quarta-feira que registou cerca de 7.700 "violações israelitas" desde a assinatura do acordo-quadro e alertou que o fim das hostilidades é "condição indispensável" para a conclusão do destacamento das suas forças.

"No meio de uma nova vaga de ataques generalizados e condenáveis contra o Líbano, a ocupação israelita intensificou os seus ataques a áreas residenciais e instituições nos últimos dias, causando um grande número de mortos e feridos", declararam os militares libaneses em comunicado.

O exército libanês frisou também que estes "ataques e violações repetidos --- particularmente os mais recentes --- desencadearam uma nova onda de deslocação de áreas anteriormente consideradas seguras".

Além disso, "confirmam que o objetivo da ocupação israelita é minar a credibilidade do Exército, tanto no Líbano como perante a comunidade internacional", advertiram ainda as forças libanesas.

As negociações entre os dois países, mediadas pelos Estados Unidos, estão atualmente paradas.

Embora a diplomacia de Washington tenha declarado, após a sétima ronda de negociações, realizada em Roma no início de agosto, que ambos os lados estavam "muito mais perto" de um acordo final, não foi definida ainda uma data para a próxima etapa de diálogo.

Israel e Hezbollah já tinham estado em confronto no seguimento da guerra na Faixa de Gaza, entre outubro de 2023 e novembro de 2024, data de um cessar-fogo nunca verdadeiramente respeitado e interrompido com o início do conflito, em 28 de fevereiro passado, entre Estados Unidos, Israel e Irão. 

A República Islâmica tem condicionado qualquer acordo de paz com os Estados Unidos ao fim dos ataques israelitas no Líbano.