Madeira entre os mercados onde sazonalidade mais pesa na venda de moradias
A Madeira está entre os mercados portugueses onde a época do ano tem maior impacto no tempo de permanência dos anúncios de moradias para venda. De acordo com dados do Imovirtual, divulgados hoje, a diferença entre a estação em que os anúncios permanecem menos tempo activos e aquela em que ficam mais tempo chega aos 79 dias na Região, mais de dois meses e meio.
O valor coloca a Madeira ao nível de Portalegre e apenas abaixo de mercados como Bragança e Castelo Branco, onde a sazonalidade apresenta diferenças ainda mais acentuadas. Em Bragança, a distância chega aos 124 dias, enquanto em Castelo Branco atinge 89 dias.
A realidade madeirense contrasta, contudo, com a observada nos apartamentos a nível nacional. Em 2026, estes imóveis permaneceram anunciados, em média, 85 dias durante a primavera, menos 20 dias do que os 105 dias registados no inverno.
A diferença entre as duas estações diminuiu face a 2025, quando os apartamentos apresentavam uma diferença de 29 dias entre o inverno e a primavera. Os dados do Imovirtual mostram, assim, uma maior rapidez de rotação dos anúncios durante a primavera, embora o efeito da sazonalidade varie consoante a localização e a tipologia do imóvel.
Moradias com comportamento mais irregular
É nas moradias que a Madeira surge entre os mercados onde as diferenças sazonais são mais expressivas. Os dados analisados pelo Imovirtual mostram que existem 79 dias de diferença entre a estação com menor e maior permanência dos anúncios na Região.
O comportamento é semelhante ao verificado noutros mercados do interior e contrasta com os principais centros urbanos. Em Lisboa, a diferença entre estações nos apartamentos é de apenas 11 dias, enquanto no Porto chega aos 15 dias.
A análise do Imovirtual aponta, por isso, para uma influência da sazonalidade que não é uniforme no mercado imobiliário português. O impacto da altura do ano depende do tipo de imóvel e da localização, podendo ser bastante mais acentuado em determinados mercados.
"Os dados mostram que a época do ano que o imóvel é anunciado é uma das variáveis a considerar quando analisamos o comportamento do interesse dos utilizadores, mas o seu peso varia muito consoante o mercado", explica Sylvia Bozzo, Marketing Manager do Imovirtual.
Segundo a responsável, nos apartamentos os imóveis continuam a ficar indisponíveis mais rapidamente na primavera, enquanto nas moradias existem diferenças significativas entre regiões. "O preço, a localização e as características do imóvel continuam, naturalmente, a ser determinantes para o interesse dos utilizadores mas devem ser analisados em conjunto com a sazonalidade", acrescenta.
Março acelera venda de apartamentos
A nível nacional, a primavera já tinha demonstrado uma dinâmica particularmente forte em 2025. Março registou uma média de apenas 59 dias de permanência dos anúncios de apartamentos, o valor mensal mais baixo do período analisado.
Em sentido contrário, Janeiro e Fevereiro atingiram 111 dias. A diferença evidencia uma aceleração significativa da procura durante a primavera.
Nas moradias, o comportamento é diferente. Fevereiro chegou aos 169 dias de permanência média dos anúncios, enquanto Março registou 120 dias e Junho 121 dias.
Os dados mostram, por isso, que não existe uma época do ano que determine de forma igual o comportamento de todos os imóveis.
Na Madeira, a diferença de 79 dias nas moradias coloca a sazonalidade entre os factores a ter em conta na leitura do mercado regional. A localização, o preço e as características dos imóveis continuam, contudo, a ser determinantes para o tempo que cada anúncio permanece disponível.
A análise do Imovirtual reforça, assim, a existência de comportamentos distintos dentro do mercado imobiliário português, com a Madeira a destacar-se pela amplitude das oscilações sazonais registadas nas moradias.