EUA atingem lançadores de 'rockets' iranianos em Ormuz, primeiro ataque num mês
As forças norte-americanas atingiram lançadores de 'rockets' iranianos no estreito de Ormuz, naquela que foi a primeira ação militar dos Estados Unidos na região em cerca de um mês, disse hoje um responsável norte-americano à agência noticiosa Associated Press (AP).
Meios de comunicação semioficiais iranianos noticiaram sons de explosões nas proximidades da ilha iraniana de Larak, que se situa nas imediações do estratégico estreito, no golfo Pérsico.
A televisão Al Jazeera noticiou, citando um responsável norte-americano sob condição de anonimato, que os Estados Unidos (EUA) atacaram dois lançadores de foguetes da Guarda Revolucionária localizados em Larak.
A informação foi posteriormente confirmada à agência noticiosa France-Presse (AFP) pelo porta-voz do Comando Militar norte-americano para o Médio Oriente (Centcom), Tim Hawkins.
Forças do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica foram observadas a preparar-se para lançar foguetes com minas navais para o estreito, segundo o responsável norte-americano, que falou sob anonimato para poder divulgar informações sobre estas movimentações militares de contornos sensíveis.
As forças militares norte-americanas concluíram na semana passada a remoção de minas navais das rotas de navegação internacional no estreito.
A Guarda Revolucionária, numa declaração divulgada pela televisão estatal iraniana, referiu, por sua vez, "o martírio e ferimentos de vários combatentes e compatriotas".
O Irão garantiu ainda que o ataque irá "resultar na punição do agressor".
Num comunicado divulgado pelas agências iranianas Fars e Tasnim, ligadas à Guarda Revolucionária, um porta-voz deste corpo de elite afirmou que esta "agressão terrorista" será "castigada".
Detalharam ainda que o ataque foi realizado com drones e causou mortos e feridos, sem especificar o número de vítimas.
Num outro comunicado, divulgado posteriormente, um porta-voz da Guarda Revolucionária classificou o ataque como um "erro estratégico e fatal".
Segundo a agência noticiosa espanhola EuropaPress, pelo menos duas pessoas morreram e outras duas ficaram feridas neste ataque em Larak.
Estes ataques ocorrem poucos dias depois da administração do Presidente norte-americano, Donald Trump ter afirmado que iria concentrar-se no reforço da pressão económica, numa tentativa de pôr fim à guerra com o Irão.
A estratégia passa por punir qualquer país ou entidade que continue a fazer negócios com Teerão.
A opção pelas sanções como principal instrumento de pressão surge numa altura em que a administração norte-americana avalia a redução dos seus arsenais de munições após meses de guerra, suscitando preocupações de que o conflito prolongado possa comprometer a prontidão militar dos EUA noutras partes do mundo.
À medida que o conflito se prolonga, também parece estar a esmorecer o discurso de Trump sobre uma rápida conclusão da guerra.
Na semana passada, Donald Trump sublinhou que "não tem pressa" em levar o Irão de volta à mesa de negociações e continua a defender que a liderança da República Islâmica está em situação difícil.
Ainda assim, o secretário da Guerra norte-americano, Pete Hegseth, veio posteriormente esclarecer que o Pentágono não excluía continuar a realizar "ataques cinéticos", se necessário.
A guerra entre os Estados Unidos e o Irão completou na sexta-feira seis meses, sem que Washington tenha conseguido eliminar o programa nuclear iraniano ou provocar uma mudança de regime em Teerão.
O conflito deixa para já como rasto, entre outros aspetos, uma crise energética mundial, repercussões à escala global no custo de vida, um Médio Oriente ainda mais instável e um dilema político com relevância eleitoral para o Presidente Donald Trump, que disputa o controlo do Congresso norte-americano nas eleições intercalares de novembro.
A "Operação Fúria Épica" começou em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram uma ofensiva aérea de grande escala contra instalações militares, nucleares e dirigentes iranianos, causando, entre outras mortes, a do líder supremo, Ali Khamenei.
Em reação à ofensiva israelo-americana, o regime de Teerão respondeu com ataques na região e o bloqueio do estreito de Ormuz.