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Chega apresenta moção de censura se Luís Neves continuar no Governo

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O presidente do Chega admitiu hoje que o partido avançará com uma moção de censura ao Governo caso o primeiro-ministro não resolva a situação do ministro da Administração Interna, que considera ter atingido um nível "grotesco" e "inaceitável".

"Se este padrão ético deixar de existir, se nós não tivermos a resolução desta situação, nós juntamo-nos ao apelo que o Presidente da República fez e apresentaremos uma moção de censura na terça-feira, no dia 01 [de setembro], no Parlamento", assegurou André Ventura.

À entrada para uma visita ao Centro Social São João, em S. Martinho do Bispo, no concelho de Coimbra, o líder do Chega sublinhou aos jornalistas que a permanência de Luís Neves no Governo está a comprometer a credibilidade das instituições.

"Repito: o Chega não quer provocar nenhuma crise política. O Chega quer que haja o mínimo de ética nas instituições e quer que esta situação de lodo, de lamaçal, de suspeitas, de crime, de conluios, etc, sejam resolvidas", sustentou.

Para Ventura, o Presidente da República, António José Seguro, "esteve bem" no ultimato que terá dado ao Governo para resolver a situação de Luís antes do arranque da comissão parlamentar de inquérito relacionada com o caso.

"Isto atingiu um grotesco tal e incompreensível, uma coisa nunca vista na nossa democracia: acho que não haverá um português, seja mais de direita, mais de esquerda, mais de centro, que não diga isto: Luís Neves não tem nenhumas condições para continuar. Está a atirar as instituições para o lodo e nós não podemos estar no lodo: o país tem que ter instituições dignas e credíveis", acrescentou.

O líder do Chega acusou ainda o primeiro-ministro, Luís Montenegro, de "parecer não ter autoridade sobre Luís Neves, ter medo ou estar condicionado".

"Só falta termos um ministro que seja uma espécie de Al Capone ou alguma coisa assim no género e que digam assim: já matou três ou quatro pessoas, mas é assim, a coisa continua", referiu.

Aos jornalistas, André Ventura assegurou ainda que o Chega não quer crises políticas.

"Eu quero é que o primeiro-ministro resolva uma situação que eu acho que envergonha toda a gente de esquerda, de direita, de centro. Acho que está a envergonhar os nossos parceiros europeus, está a envergonhar os nossos aliados lá fora, está a envergonhar qualquer pessoa que olhe para isto", concluiu.