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Carneiro diz que Montenegro tem "surpresas todos os dias" envolvendo Luís Neves

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O secretário-geral do PS afirmou hoje que o primeiro-ministro "está a ter surpresas todos os dias" com o ministro da Administração Interna, pedindo mais esclarecimentos sobre polémicas que envolvem Luís Neves, como o uso de uma viatura apreendida.

Durante uma visita ao Santuário de São Bento da Porta Aberta, concelho de Terras de Bouro, distrito de Braga, José Luís Carneiro foi recebido por apoiantes, um dos quais lhe ofereceu uma saqueta de chá natural para os nervos, stresse e ansiedade.

À questão dos jornalistas sobre se o chá daria muito jeito para lidar com a situação do ministro da Administração Interna, o líder socialista apontou também a resposta para Luís Montenegro.

"Faz também bem ao primeiro-ministro nesse caso, porque ele está a ter surpresas todos os dias, deve tomar um chá desta natureza", declarou Carneiro, em tom humorado.

Uma investigação do Nascer do Sol e a TVI/CNN refere que Luís Neves dispõe, no ministério, de várias viaturas oficiais topo de gama, de dois motoristas e de quatro elementos de segurança. Apesar disso, o governante conduz e leva para casa um carro desportivo apreendido pela Polícia Judiciária, que será o mesmo carro que já usava enquanto diretor-nacional da PJ.

Em resposta à investigação do Nascer do Sol e TVI/CNN, o ministro explicou tratar-se de uma viatura de serviço em regime de comodato, devidamente autorizado em termos legais.

"É preciso ver em que termos é que elas [viaturas] foram utilizadas, porque se não houver uma boa explicação, poderíamos estar perante um crime de peculato de uso. Mas é isso que é preciso agora averiguar, para se se verificar se se estará perante a prática de um crime. O primeiro-ministro, que é responsável máximo pelo Governo, é que tem de decidir se quer manter ou não os membros do Governo", reagiu José Luís Carneiro.

Para o secretário-geral do PS, há vários assuntos que envolvem o ministro da Administração Interna que carecem de mais explicações.

"Já todos entendemos que há matérias sobre as quais importa ter esclarecimentos mais definitivos, mais bem fundamentados, porque todos já perceberam o que está em causa. Acho que qualquer português não precisa de ir a Coimbra para saber o que está em causa. Agora compete ao primeiro-ministro decidir o que é que deve fazer", sublinhou o secretário-geral do PS.

Para o líder socialista, o princípio da presunção de inocência deve ser respeitado, reiterando que cabe ao primeiro-ministro "decidir se quer manter o Governo consoante está ou se entende fazer mudanças", lembrando algumas das polémicos que atingem Luís Neves.

"Todos sabem neste país que não se pode construir em Reserva Ecológica, todos sabem, qualquer cidadão neste país sabe disso. Todos sabem também que as viaturas públicas devem servir para serviço público, não podem servir para outros serviços. É preciso saber se foi para serviço público que foi utilizado ou não. Isso não sei, nem me compete a mim saber. Compete ao primeiro-ministro e às entidades que estão a acompanhar os assuntos", declarou José Luís Carneiro.

Sobre a eventual demissão do ministro da Administração Interna, o secretário-geral do PS reiterou que não pede demissões de ministros, pois recusa fazer "esse favor" a Luís Montenegro.

Para José Luís Carneiro a autoridade do ministro da Administração Interna "não pode estar fragilizada".

"É que o ministro da Administração Interna é quem tem a tutela das forças que aplicam a lei. Ora, para que os cidadãos possam cumprir a lei imposta pelas forças da autoridade, quem é titular da pasta tem de ser exemplar em todos os domínios da aplicação da lei", defendeu o líder socialista.

Para o secretário-geral do PS, o primeiro dever de Luís Montenegro, como primeiro-ministro, é fazer com que o Governo cumpra os seus deveres, nomeadamente éticos e de legalidade.