"Não quero separar-me deles"
Responsável pela associação Madeira Sanctuary diz estar “desesperada” por não ter para onde ir com os animais e revela que vive há cerca de três semanas sem electricidade
Élia Jesus, responsável pela associação Madeira Sanctuary, tem até ao próximo dia 30 de Setembro para abandonar a habitação onde vive e onde mantém parte dos animais que estão ao seu cuidado. Ao DIÁRIO, confessa estar “desesperada” por ainda não ter encontrado um espaço para onde possa levar os animais e garantir que ficam em segurança.
Actualmente, a responsável tem dezenas de animais a seu cargo. Catorze permanecem na casa que terá de abandonar, enquanto os restantes encontram-se distribuídos por famílias de acolhimento. A possibilidade de ter de se separar deles é uma das principais preocupações.
“Não me quero separar deles”, afirma, emocionada, Élia Jesus, que procura uma solução que permita manter os animais juntos e assegurar-lhes as condições necessárias.
A situação é agravada pelo facto de a habitação estar sem electricidade há cerca de três semanas. Segundo relata, o senhorio terá cortado o fornecimento, obrigando-a a adaptar a forma como gere a alimentação dos animais. “Tive de deitar fora comida de dois frigoríficos. Tenho de comprar comida para o dia”, explica.
A ausência de electricidade representa mais uma dificuldade para quem já enfrenta limitações financeiras. A associação depende essencialmente de donativos e recebe um apoio anual de cerca de 10 mil euros, verba que, segundo a responsável, é insuficiente para suportar as despesas com alimentação, tratamentos veterinários e os restantes cuidados necessários aos animais.
A situação financeira está também a ser agravada pela permanência na habitação. Élia Jesus explica que, por ainda não ter abandonado a casa, está a pagar uma penalização de 50 euros por cada dia que permanece no imóvel.
“Estou a sufocar em dívidas”, desabafa.
Uma quinta para acolher todos os animais
Perante a necessidade de encontrar uma solução definitiva, Élia Jesus aponta para um sonho: adquirir uma quinta no Lombo do Meio que permita à associação concentrar naquele espaço os animais que tem actualmente a seu cargo.
A aquisição permitiria criar um local de acolhimento permanente, reduzindo a dependência de famílias de acolhimento e evitando novas separações. Contudo, a concretização do projecto depende de um investimento que a associação não tem capacidade financeira para suportar.
“Necessito de um milagre. Necessito de ajuda para os manter juntos e felizes”, afirma.
O número de animais acolhidos pela associação tem aumentado nos últimos tempos, uma realidade que Élia Jesus relaciona também com as dificuldades que muitas famílias enfrentam para continuar a ter os seus animais de companhia.
A responsável conta que alguns animais que tinham sido adoptados há vários anos acabaram por regressar à associação depois de os seus tutores enfrentarem mudanças nas condições de vida. “Pessoas que adoptaram há sete, oito, dez anos, devolveram porque tiveram de mudar de casa e não puderam levar os animais”, relata.
São situações que, segundo explica, acabam por aumentar a pressão sobre uma associação que já enfrenta dificuldades para garantir espaço e recursos para todos os animais.
Com o prazo para abandonar a habitação a aproximar-se, a prioridade passa agora por encontrar um novo local que possa acolher os animais que permanecem na casa e assegurar uma solução para os restantes.
Até 30 de Setembro, Élia Jesus terá de deixar a habitação. Sem uma alternativa, teme não conseguir garantir a continuidade do trabalho desenvolvido pela Madeira Sanctuary e, sobretudo, manter juntos os animais que estão actualmente sob a sua responsabilidade.
Perante a proximidade do prazo para abandonar a habitação, diz já ter recorrido a diversas entidades e contactado figuras públicas na tentativa de encontrar uma solução para os animais, mas, até ao momento, sem sucesso.
A responsável mantém o apelo a quem possa ajudar a Madeira Sanctuary a ultrapassar esta fase, nomeadamente através de apoio financeiro. Os “amantes dos animais” que queiram contribuir para a causa podem fazê-lo através de transferência bancária, utilizando o IBAN disponibilizado nas redes sociais da associação.
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