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Obrigado, Tia Isabel!

Foi através dela que comecei a perceber o que o PPD/PSD Madeira significava para uma geração inteira de madeirenses

Há poucos dias faleceu a minha tia-avó Isabel. Escrevo sobre ela neste espaço não apenas por aquilo que representou para mim e para a minha família, mas porque a sua vida representa uma forma de estar na política e na sociedade que vale a pena recordar.

A minha tia Isabel foi militante do PPD/PSD desde os primeiros tempos da Autonomia. Foi vereadora na Câmara Municipal da Ponta do Sol, eleita pelo PSD. Mas nunca viveu da política. Viveu, isso sim, a política. E há uma diferença enorme entre as duas coisas.

Desde miúdo que me lembro de ir a sua casa e de vê-la interessada pelos problemas da sua terra e das pessoas. Não havia vizinho que lhe falasse de uma vereda, de uma estrada, de uma dificuldade qualquer, pequena ou grande, que ela não procurasse levar o assunto a quem tinha responsabilidades para o resolver.

E não se limitava a transmitir a mensagem. Muitas vezes fazia daquele problema também um problema seu. Insistia, telefonava, procurava quem pudesse ajudar. E quando finalmente se conseguia resolver, ficava genuinamente feliz. Não havia protagonismo, fotografias ou redes sociais. Havia apenas a satisfação de ter ajudado alguém.

Para mim, a política começou também por aí.

A sua participação cívica nunca se esgotou no PSD. Colaborou com instituições e associações, fez voluntariado e esteve sempre muito ligada à sua comunidade. Era profundamente devota de Nossa Senhora da Luz, a padroeira da Vila, e vivia as festas e cerimónias religiosas da Ponta do Sol com uma alegria muito própria, que todos lhe conheciam.

Mas também foi através dela que comecei a perceber o que o PPD/PSD Madeira significava para uma geração inteira de madeirenses. Quando falava do partido havia orgulho. O orgulho de pertencer ao partido que, com a Autonomia, transformou profundamente uma Madeira pobre, isolada e esquecida e a aproximou dos padrões de vida europeus. Para aquela geração isso não era uma frase de campanha. Eles tinham conhecido a Madeira antes e depois da Autonomia.

A minha tia Isabel foi uma lutadora. Pela sua família, pela sua terra, pelas pessoas e pelas causas em que acreditava. E ajudou, certamente, a despertar em mim o interesse pela política e pelo serviço público.

Num tempo em que tantas vezes olhamos para a política apenas pelo pior que ela tem, em que o maldizer é padrão, a crítica é feroz e o escrutínio é muitas vezes distorcido, talvez seja importante recordar pessoas assim. Pessoas que nunca precisaram da política para viver, mas que dedicaram uma parte importante da sua vida a tentar melhorar a vida dos outros.

A política também é isto.

Obrigado, tia Isabel.