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Venezuela e Israel criam mecanismo para restabelecer relações consulares

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Foto Shutterstock

A Venezuela chegou a acordo com Israel para criação de um mecanismo de coordenação que permita a prestação de serviços consulares em ambos os países, revelou ontem o Governo venezuelano.

A Venezuela rompeu relações com Israel em 2009, por ordem do então Presidente Hugo Chávez (1999-2013), em apoio à Palestina, e a reaproximação ocorre na sequência da recente visita de uma delegação humanitária israelita ao país das Caraíbas para apoio na recuperação do duplo sismo de 24 de junho.

"Ambos os governos reconhecem a importância da ligação entre o Estado de Israel e a comunidade judaica residente na Venezuela, que constitui uma importante ponte de amizade histórica entre os dois países", destacou o Ministério dos Negócios Estrangeiros venezuelano em comunicado divulgado nas redes sociais.

Caracas informou ainda que ambos os países concordaram em permitir a continuidade da cooperação técnica bilateral decorrente dos esforços de emergência e recuperação após os sismos de magnitude 7,2 e 7,5, que fizeram mais de 6.300 mortos.

A Presidente interina Delcy Rodríguez agradeceu em julho à delegação humanitária israelita pelo apoio prestado ao país após os sismos.

Segundo a presidência venezuelana, a delegação israelita, que recebeu o apoio da comunidade judaica venezuelana, incluía ainda engenheiros civis que concentraram os seus trabalhos "na avaliação de estruturas colapsadas, na análise da vulnerabilidade dos edifícios e na elaboração de planos de contingência urgentes para a gestão de emergências".

Também presente no país sul-americano esteve Elad Edri, um oficial de alta patente das Forças de Defesa de Israel, que ofereceu orientações sobre a gestão de resíduos.

Hugo Chávez decidiu "romper todas as relações" com Israel em 15 de janeiro de 2009, uma semana depois de ter expulsado o embaixador israelita de Caracas, em apoio à Palestina, e o seu governo manifestou a intenção de pressionar a comunidade internacional a denunciar os líderes do Estado judaico perante o Tribunal Penal Internacional, por "crimes contra a humanidade".

Desde então, o regime chavista tem mantido fortes críticas a Israel e um apoio inabalável à Palestina, classificando o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, como um "criminoso de guerra".

O ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Gideon Saar, descreveu o acordo entre os dois países como "mais uma boa notícia da América do Sul", referindo-se ao recente reconhecimento, por parte da Colômbia, da soberania israelita sobre os Montes Golã, na Síria.

"Continuarei a fortalecer os laços entre Israel e os países de todo o mundo em geral, e entre Israel e os países da América Latina em particular", apontou Saar na rede social X.