Programa vai preparar 100 mil pessoas para ondas de calor e incêndios
Um programa de educação e sensibilização pretende preparar até 2029 mais de 100 mil pessoas nas zonas de Lisboa e Braga para responderem a ondas de calor e incêndios, foi anunciado esta segunda-feira.
O programa vai ser implementado pela Cruz Vermelha Portuguesa (CVP) e é financiado pela "Z Zurich Foundation", que colabora com organizações locais por todo o mundo para, entre outros objetivos, trabalhar na resposta a crises e na adaptação às alterações climáticas.
A iniciativa é desenvolvida pela CVP e pela seguradora Zurich Portugal, que hoje em comunicado disseram que a iniciativa aposta na participação ativa das comunidades e na construção de soluções locais de prevenção e preparação em relação às alterações climáticas.
O "Programa de Resiliência Climática Urbana em Portugal" faz parte de uma iniciativa global para apoiar comunidades urbanas vulneráveis afetadas pelas alterações climáticas, e "visa reforçar a proteção das comunidades perante os riscos climáticos, aumentando a sua preparação, capacidade de resposta e resiliência face a ondas de calor extremo e incêndios".
O programa vai promover a sensibilização e o conhecimento das populações sobre os riscos, facilitar o acesso a formação, ferramentas de preparação, exercícios de simulação e soluções locais, incluindo técnicas de primeiros socorros. Inclui também planos familiares de emergência e reforço da coordenação entre os sistemas locais de alerta, as comunidades e os Serviços Municipais de Proteção Civil.
De acordo com o comunicado será dada atenção especial a pessoas em situação de maior vulnerabilidade, nomeadamente pessoas idosas, pessoas com doenças crónicas, migrantes e famílias com baixos rendimentos.
As duas entidades recordam que Portugal é dos países europeus mais afetados por incêndios, e nos últimos anos registou também um aumento acentuado da frequência e intensidade das ondas de calor, "com efeitos diretos na saúde pública e no bem-estar social".
A seguradora diz que em Portugal os episódios de calor foram responsáveis por cerca de 2.200 mortes em 2022, e que o impacto económico dos fenómenos climáticos extremos superou os 13,4 mil milhões de euros desde 1980.