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A Guerra Mundo

Rússia vai receber mais soldados e mísseis norte-coreanos

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Foto Shutterstock

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou hoje que a Rússia vai reforçar-se com tropas da Coreia do Norte, que também terá fornecido a Moscovo mais mísseis balísticos. 

O regime de Vladimir Putin "está a preparar-se para enviar um contingente adicional de norte-coreanos para o seu território. Receberam - acreditem - mísseis balísticos adicionais da Coreia do Norte", declarou Zelensky no seu discurso diário. 

"Esta é a primeira vez que eles (forças russas) não podem travar uma guerra sem reforços da Coreia do Norte", acrescentou o Presidente ucraniano.

Zelensky exortou o Japão e a Coreia do Sul, rivais do regime norte-coreano, a prestarem assistência a Kiev na defesa aérea, considerando-a necessária para conter o crescente poder de Pyongyang, alimentado pela experiência adquirida no apoio a Moscovo. 

No passado fim de semana, Zelensky afirmou que tinha sido tomada uma decisão relativamente ao destacamento em solo russo de 30.000 a 50.000 soldados norte-coreanos.  

Pyongyang tornou-se um dos parceiros militares mais próximos da Rússia desde que o líder norte-coreano, Kim Jong-un, apoiou a invasão russa da Ucrânia em fevereiro de 2022, culpando a "política hegemónica" dos Estados Unidos e dos países ocidentais.

Nas Cimeiras Putin-Kim de 2023 e 2024 foi elevada a cooperação bilateral a novos patamares. A viagem de uma semana de Kim à Rússia em 2023 foi o seu primeiro encontro com um líder estrangeiro desde 2019. 

Em junho de 2024, Putin deslocou-se a Pyongyang --- a sua primeira visita à Coreia do Norte em quase um quarto de século --- e assinou com Kim o Tratado de Parceria Estratégica Abrangente, formalizando uma aliança militar entre dois Estados nucleares. O tratado inclui disposições de assistência militar mútua, violando diretamente as sanções do Conselho de Segurança da ONU relativamente a Pyongyang. 

Nos dois anos seguintes ao pacto, tropas norte-coreanas combateram ao lado das forças russas na guerra contra a Ucrânia, e mísseis e munições de artilharia fabricados por Pyongyang chegaram à frente de batalha para alimentar a máquina de guerra russa.

No início de 2026, serviços de informações sul-coreanos estimaram que cerca de 6.000 soldados norte-coreanos, mais de um terço dos destacados em território russo, tinham morrido ou ficado feridos nos combates. 

A Rússia começou a usar mísseis balísticos de curto alcance KN-23 norte-coreanos contra a Ucrânia no final de 2023, tendo desde então ajudado a melhorar a sobrevivência e precisão do sistema.

Ao abrigo do tratado de junho de 2024, mais de 30.000 trabalhadores norte-coreanos estão atualmente destacados na Rússia. 

Em contrapartida pelo apoio militar e civil prestado, um veto russo em 2024 no Conselho de Segurança - com a China a abster-se - acabou efetivamente com o principal mecanismo multilateral de aplicação das sanções à Coreia do Norte, o painel de peritos da ONU. 

Com apoio dos parceiros europeus, a Ucrânia tem conseguido atingir áreas do território russo a milhares de quilómetros da linha da frente, e a sofisticação tecnológica de Kiev no campo dos drones aumentou de forma expressiva no último ano. 

Em junho passado, Zelensky, anunciou uma campanha de 40 dias para intensificar os ataques com drones em território russo.