Afinal, Luís Neves esclareceu?

Foram precisas quase três semanas para surgir uma tentativa de esclarecimento. Ainda assim, marcada pela arrogância e por vários despropósitos.

Ficou por explicar o motivo de tanta a demora, como se os factos não fossem suficientemente graves e os portugueses não merecessem uma resposta atempada. Terá estado protegido pelo primeiro-ministro?

Na forma, entrou em cena a abrir hostilidades, agindo com pouca humildade e um ego desmedido. Passou o tempo a enumerar os seus méritos: o que fez e desfez, o dinheiro que poupou ao Estado, o facto de nunca se ter apropriado de um cêntimo e a sua dedicação ao serviço público. A questão, porém, mantém-se: e o cumprimento da lei? Tendo o próprio admitindo que houve atropelos legais, onde estão as consequências?

Quanto aos factos, ficaram muitas pontas soltas por esclarecer, desde a questão do atrelado às facturas e aos pagamentos em dinheiro vivo.

Perante tudo isto, Luís Neves tem ainda muito por explicar aos portugueses se quiser sair incólume deste caso, cujas consequências continuam a projectar-se sobre o Governo de Montenegro.

Para o Chega, este caso é o terreno ideal de actuação, por isso, vai querer continuar a navegar nestas águas turvas para capitalizar politicamente a situação, até porque tudo indica que esta instabilidade está longe de terminar.

E o PS? Vai continuar no faz de conta?

Carlos Oliveira