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PSD considera que Luís Neves justificou tudo "ponto por ponto" e ataca Ventura

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Foto Arquivo

O PSD considerou hoje que o ministro da Administração Interna justificou "ponto por ponto" as polémicas em que esteve envolvido enquanto ex-diretor nacional da PJ, "assumindo erros", mas atuando "sempre em nome do interesse do Estado".

Esta posição foi transmitida pelo líder parlamentar social-democrata, Hugo Soares, numa declaração em que também acusou o presidente do Chega, André Ventura, de colocar os interesses partidários acima de tudo, de procurar apoucar um membro do Governo e de demonstrar não estar interessado em conhecer a verdade.

Na perspetiva de Hugo Soares, a conferência de imprensa hoje dada pelo ministro Luís Neves foi "suficientemente elucidativa" sobre assuntos que têm ocupado o espaço público em relação à conduta que adotou "enquanto diretor nacional da PJ e não enquanto ministro da Administração Interna".

"Tal como se comprometeu, respondeu ponto por ponto às questões que foram levantadas", defendeu o presidente da bancada social-democrata.

Na conferência de imprensa, Luís Neves falou sobre a contratação de um empreiteiro, da Construbarcelos, que trabalhou para a PJ, quando era diretor nacional, para fazer obras numa sua propriedade familiar em Odemira, mas também sobre o aparecimento de um atrelado com bidões de químicos utilizados no fabrico de droga nas instalações desse mesmo empreiteiro e, ainda, sobre as falhas na entrega das declarações de rendimentos ao Tribunal Constitucional.

Para Hugo Soares, a partir de agora, é importante que Luís Neves "se possa concentrar naquilo que faz bem - e o país já percebeu que ele faz bem".

"Que se possa concentrar na condução das forças e dos serviços de segurança, da proteção civil, no sistema de informações de emergência do país e, agora, nesta fase crítica, no combate aos incêndios", rematou o presidente da bancada social-democrata.

Do ponto de vista estritamente político, o líder parlamentar do PSD atacou a linha seguida pelo presidente do Chega em relação ao ministro da Administração Interna.

"Antes da conferência de imprensa do ministro da Administração Interna, o Chega fez saber que, se o senhor ministro se demitisse, o Chega abdicaria de uma comissão parlamentar de inquérito. Isto quer dizer que, se o ministro se demitisse, o Chega já não queria saber a verdade sobre o que realmente tinha realmente acontecido", apontou.

Para Hugo Soares, a única intenção do Chega era procurar uma demissão no Governo para, a partir daí, poder ter, eventualmente, algum ganho político".

"Ou seja, a verdade não interessava e o Chega até abdicaria de ouvir o ministro numa comissão parlamentar de inquérito desde que ele fosse para casa. Isto demonstra bem a atitude pouco patriótica do Chega", acusou.

Em relação, ao secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, lembrou de passagem que ele foi ministro da Administração Interna no último executivo de António Costa.

"Estou em crer que, se o secretário-geral do PS quiser ser sensato, como aparenta - e tantas vezes só aparenta -, dirá aquilo que é evidente sem ter que dizer com as palavras que eu vou dizer. O senhor ministro da Administração Interna assumiu alguns erros, assumiu que teria tido outra conduta se hoje tivesse que tomar as mesmas decisões", referiu.

Mas, acentuou Hugo Soares, Luís Neves "defendeu as decisões que tomou com o interesse nacional e com aquilo que o bom senso e que aquilo que todos os portugueses conhecem e fazem nas suas vidas".

"Isso pareceu-me de uma enorme clareza e, sobretudo, de um apelo e um apego à verdade que faz deste ministro da Administração Interna alguém, creio eu, que do ponto de vista da sua responsabilidade na sua conduta não tem nada a que se lhe aponte", acrescentou.