“Acabou tudo”
Em Playa Grande, no estado de La Guaira, o cenário é devastador. Prédios inteiros cederam, ruas ficaram irreconhecíveis e a vida de centenas de famílias permanece suspensa entre os escombros, a espera e a dor.
Só num edifício colapsado estão desaparecidos seis portugueses. No local, uma equipa chinesa de busca e salvamento trabalhava entre toneladas de betão, tentando chegar a possíveis vítimas ainda soterradas.
A destruição impressiona pela escala e pelo silêncio. Um silêncio cortado pelo ruído das máquinas, pelas instruções das equipas de resgate e pela voz de uma mulher que passava entre os destroços e repetia, quase sem forças: “Acabou-se tudo.”
Em Playa Grande, a tragédia não se mede apenas pelos edifícios que caíram. Mede-se pelas famílias que esperam, pelos nomes que continuam por confirmar e pela angústia de quem procura sinais de vida onde antes havia casas, vizinhos e futuro.
Rui Abreu, que visitou a zona afectada, resumiu a dimensão do que encontrou numa frase dura: “Pior do que um cenário de guerra.”