Infância. Onde tudo começa
Sempre que uma criança morre por negligência, maus-tratos, fome ou qualquer outro tipo de violência, significa que a sociedade está a falhar e a humanidade a regredir.
A nível global, nada justificaria a falta de condições básicas para que cada criança pudesse crescer saudável com todos os direitos que lhe assistem. Tal só não acontece porque as políticas internacionais estão cada vez mais focadas nos interesses económicos e de expansão territorial. As crianças não estão a ser protegidas, respeitadas, valorizadas e acarinhadas, para que possam confiar no futuro que lhes pertence e no qual vão ser responsáveis. Os alicerces estão a tornar-se tão frágeis que a rede que suporta a chegada das novas gerações não nos pode deixar tranquilos.
Há uma desigualdade crescente de oportunidades que não promove a solidariedade e a interajuda, criando uma competitividade injusta, irreal e baseada em falsas crenças. Tudo começa na infância e uma sociedade que se quer justa e promotora de sucesso tem de começar cedo a proteger e cuidar das suas crianças.
Portugal é um país de valores e princípios que tem criado mecanismos de defesa para os direitos das crianças, de forma a protegê-las dos vários tipos de violência. Não estamos em guerra, nem em situação de calamidade, por isso qualquer criança negligenciada, vítima de maus-tratos, físicos ou psicológicos, num crescendo de mortes, é uma falha grave do sistema de proteção.
É preciso mais. Temos equipas, leis, motivação, formação, mas não está a ser suficiente. É preciso mais meios de ação, mais recursos humanos, mais entendimento entre os diferentes intervenientes, mais recursos e mais rapidez. Os adultos negligentes ou agressores são de certeza pessoas a precisar de ajuda que têm vindo a passar despercebidos pelos sistemas de saúde e social. Há que refletir nas razões que permitem esta fuga de atenção para que as situações de risco possam ser alvo de intervenção o mais precocemente possível.
Uma criança em dor e sofrimento continuado é sempre uma falha dos adultos e do sistema a que pertencem. Podemos fazer melhor.