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Elogio da "voz que fica" em reacções de políticos e organizações

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José Luís Carneiro, José Manuel Pureza, Miguel Albuquerque e o partido Livre estão entre políticos e organizações que reagiram à morte do cantor Luís Represas, ocorrida hoje, em Lisboa, recordando "a voz que fica" e "o talento inestimável".

O Livre reage à morte do cantor nas redes sociais, assinalando que "há vozes que ficam": "Vivem nas canções que atravessam gerações e naquilo que ajudaram a contar sobre um país. Com os Trovante e depois a solo, [Luís Represas] escreveu algumas das canções que muitos portugueses sabem de cor. 'Timor', dos Trovante, levou a luta do povo timorense à independência a milhares de portugueses e lembrou que a cultura também pode fazer parte das grandes causas do seu tempo".

O partido que tem Isabel Mendes Lopes e Jorge Pinto como porta-vozes recorda que os concertos anunciados por Luís Represas, para 2027, de celebração de 50 anos de carreira, "já não acontecerão", mas "as canções, essas, continuam connosco".

O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, por seu lado, inscreve Luís Represas entre os "artistas cuja obra passa a fazer parte da nossa vida". "Com a sua voz, a sua escrita e a sua forma de olhar o país e o mundo, ajudou a construir uma banda sonora que atravessou várias gerações de portugueses. A sua música uniu pessoas, despertou causas e mostrou que a cultura também é uma forma de cidadania".

"Hoje despedimo-nos de um grande artista", escreve José Luís Carneiro nas redes sociais. "Fica a sua obra, que continuará a emocionar e a inspirar".

O coordenador do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, numa curta mensagem que cita uma das mais conhecidas canções dos Trovante, "125 Azul", confessa o choque da notícia inesperada: "'Foi, sem mais nem menos'. Homenagearemos Luís Represas fazendo nosso o compromisso de que os nossos dias não vão ser gastos assim".

O presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque, também reconhece a tristeza pela morte do músico: "Um amigo por quem tinha uma grande estima, um amante da Madeira e um talento inestimável que deixa um legado enorme ao país. Que descanses em paz, Luís!"

O vice-presidente do PSD Sebastião Bugalho, na sua página pessoal no Facebook, confessa que lhe é difícil escrever sobre Luís Represas, porque o conheceu e cresceu a ouvi-lo, "não só a tocar, como a conversar".

"Acho que posso dizer, para ser verdadeiro, que choro a sua morte. Por amizade de quem me educou, ouvi-lhe histórias sobre a sua Cuba, que amava na sua dimensão de música e de sonho. Ouvi-o tocar ao lado de virtuosos do piano como o Miguel Nuñez e oiço-o ainda, todos os dias, a cantar a 'Feiticeira' com o Pablo Milanés. Quem trabalha comigo sabe que não há um dia bom em que não a oiçamos uma, duas, três vezes", escreve Sebastião Bugalho.

"Para mim, que nem da geração do Trovante sou, o verbo 'ouvir' e o Luís Represas foram sendo uma e a mesma coisa. Lembro-me com tanto carinho disso tudo que me choca a ideia de ele já não estar. De termos agora de aprender a ouvi-lo a uma distância que já não depende de nós".

"Gostava mesmo dele e, ainda para mais, tinha graça", prossegue o vice-presidente do PSD. "Lembro-me, como se tivesse sido ontem, de ter ido tocar a um comício do PS e brincado a seguir, sobre a letra do '125 Azul': Quase que troquei 'sem portas nem janelas' por 'sem Portas nem Manelas'! E lembro-me -- e vou lembrar-me sempre -- das conversas até de madrugada no sul de Espanha, em que nós, mais pequenos, levávamos rum e café à mesa, para eles, mais velhos, falarem de música e do que nós também havíamos de falar um dia".

Sebastião Bugalho conclui, aludindo também a canções de Represas: "A nós, que o ouvimos mais ou menos de perto, tenho a certeza -- tenho mesmo -- que nos vai voltar a encher aquilo que hoje se partiu. Que de uma noite demorada ou numa breve manhã, num sonho feito mar ou num mar não sonhado, ouviremos a música dele -- hoje, nas nuvens, deslumbradas".

A ex-deputada do PS e ex-ministra do Trabalho e Solidariedade Social Ana Mendes Godinho também reagiu à morte de Luís Represas, no Facebook, tomando o título de uma das mais conhecidas canções dos Trovante, sobre soneto de Florbela Espanca, como ponto de partida: "Perdidamente agradecida por tantos momentos maravilhosos e felizes, Luís Represas! [...] A dar-nos sempre garras e asas de condor, com Florbela Espanca. Serás sempre Poeta, Mais Alto!!".

A deputada europeia Ana Catarina Mendes, antiga ministra Adjunta e dos Assuntos Parlamentares, escreve no Facebook: "A vida é um sopro! Obrigada, Luís Represas! Saudades!"

O escritor e antigo presidente da Câmara de Santarém Francisco Moita Flores escreveu nas redes sociais: "Partiu o cometa cintilante que durante cinquenta anos iluminou Portugal, deixando um rasto de poemas, músicas e canções que incendiaram o coração dos seus admiradores".

As reações à morte do músico atravessam o espetro político e diferentes setores da sociedade portuguesa, de municípios a juntas de freguesia, de associações e clubes desportivos, como o Belenenses, de que era adepto, a organizações sociais.

Oeiras e Chamusca estão entre os municípios que hoje lembram a passagem, pelos seus palcos, de "uma das vozes mais marcantes da música portuguesa".

Também a Polícia Segurança Pública lamenta a perda de "um parceiro, um cidadão exemplar e um amigo".

Na rede Facebook, escreve a PSP: "Ao longo dos anos, Luís [Represas] demonstrou um elevado sentido de missão e uma disponibilidade ímpar para colaborar com a nossa Instituição. Por trás do talento que marcou gerações de portugueses, estava um homem de causas, com um compromisso cívico inabalável e um respeito genuíno pela causa pública e pela segurança de todos. A sua música uniu-nos. A sua generosidade e proximidade honraram os nossos polícias. O seu legado, tanto artístico como humano, permanecerá na memória de todos nós. [...] A voz calou-se, mas a obra e o exemplo ficam para sempre."

A Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting recordou "o cantor e compositor único e um amante do desporto automóvel, tendo disputado ao longo dos anos provas de Karting, Todo-o-terreno e Novas Energias".

A Associação Portuguesa Contra a Leucemia (APCL) lamentou igualmente a morte de Luís Represas: "Mais do que um músico e cantor de referência, Luís Represas foi alguém que, ao longo dos anos, se associou à nossa missão com generosidade e disponibilidade. Acreditou na importância de apoiar quem enfrenta a leucemia e contribuiu, com o seu tempo, a sua voz e a sua presença, para dar mais força a esta causa".

"Nunca esqueceremos o seu gesto solidário, nem a forma como colocou o seu talento ao serviço dos outros. O seu legado permanecerá não apenas na música que marcou gerações, mas também no exemplo de compromisso e humanidade que deixou", conclui a APCL.