África do Sul detém mais de 16 mil pessoas em megaoperação contra a criminalidade
A polícia da África do Sul deteve 16.684 pessoas numa operação realizada em todo o país durante a última semana para combater a criminalidade, indicaram hoje as autoridades.
Na operação foram ainda detidos 1.869 migrantes em situação irregular e apreendidos bens de contrabando avaliados em mais de 46 milhões de rands (cerca de 2,3 milhões de euros).
Entre os detidos na denominada "Operação Shanela", realizada entre 20 e 26 de julho, encontram-se os alegados s alegados autores morais de vários homicídios com motivações políticas, segundo o Serviço de Polícia da África do Sul (SAPS).
Foi detido um conhecido curandeiro tradicional da província de KwaZulu-Natal, no leste do país, acusado de ter organizado os homicídios de Thamsanqa Kingdom Gcabashe, membro da Liga da Juventude do Congresso Nacional Africano (ANC, na sigla em inglês), partido no poder, e de dois agentes da polícia municipal de eThekwini.
Na Cidade do Cabo, as autoridades detiveram também um homem de 37 anos apontado como o alegado mentor do homicídio de Sinovuyo Dyokwe, candidato a vereador da Aliança Democrática (DA), o segundo maior partido da coligação governamental sul-africana.
Do total de detidos, 2.547 eram fugitivos procurados por crimes violentos, como homicídio, tentativa de homicídio, violação, furto de veículos e assaltos a habitações e estabelecimentos comerciais.
As operações resultaram ainda na detenção de 152 pessoas por violação e de mais de 1.300 por agressões que causaram ofensas graves à integridade física.
Durante as rusgas e operações de controlo migratório e de segurança realizadas nas nove províncias do país, a polícia apreendeu 128 armas de fogo ilegais, cerca de 2.300 munições, grandes quantidades de droga e recuperou 55 veículos furtados.
A África do Sul enfrenta elevados níveis de criminalidade e violência armada, contexto em que o Governo mantém em funcionamento o programa "Shanela", uma operação multidisciplinar periódica destinada a reforçar a presença policial nas zonas mais problemáticas do país.
No último trimestre de 2025, o país registou cerca de 5.940 homicídios, com aumentos em duas das nove províncias, apesar de uma descida global de 8,7% face ao mesmo período de 2024.
A violência continua a ser um problema recorrente na África do Sul, um país marcado pela desigualdade, pobreza e desemprego, que apresenta uma das taxas de homicídio mais elevadas do mundo e lidera o continente africano, com 40,3 homicídios por cada 100 mil habitantes, segundo dados das Nações Unidas.