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Mais de 325 mil pessoas retiradas em França e Espanha

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França e Espanha continuaram a enfrentar hoje incêndios que obrigaram a retirar mais de 325 mil pessoas, numa altura em que as previsões meteorológicas alertam para uma onda de calor no sudoeste francês, a partir de terça-feira.

No sudoeste francês, que inclui o departamento de Gironda, a capital, Bordéus, tem as chamas a 15 quilómetros da aglomeração urbana e a situação poderá agravar-se devido ao calor, um cenário que também pode afetar várias regiões espanholas, segundo a agência noticiosa francesa AFP.

As altas temperaturas previstas poderão agravar o fenómeno atmosférico "pyrocumulonimbus", conhecido como "tempestade de fogo". A autarca de Gironda, Sophie Brocas, receia tal cenário, após informações divulgadas pela agência meteorológica Météo-France, que prevê uma potencial onda de calor no sudoeste a partir de terça-feira, com máximas até aos 40 graus e ventos um pouco menos fortes, mas mais secos.

O incêndio gigantesco registado no departamento de Gironda já consumiu 240 habitações e cerca de 220 mil pessoas foram retiradas desde quarta-feira, provavelmente a maior operação deste tipo alguma vez realizada em França, fora de contexto de conflito, segundo o Governo.

Nesta costa atlântica francesa, as chamas já consumiram, até ao momento, 42 mil hectares (quatro vezes a área de Paris), "ou seja, mais 10 mil" do que no sábado, segundo fontes locais.

As chamas encontram-se agora "a 15 quilómetros" da área metropolitana de Bordéus - cidade com 850 mil habitantes -, mas uma evacuação da cidade "não está prevista", disse, por sua vez, o presidente da Câmara de Bordéus, Thomas Cazenave.

Embora não se tenham registado vítimas civis, 75 bombeiros ficaram feridos, dos quais dez tiveram de ser retirados do terreno.

Após uma reunião da célula de crise que será organizada na segunda-feira de manhã pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, o Governo irá reunir com caráter de urgência os profissionais dos setores do turismo, da energia, das telecomunicações e dos seguros.

Incêndios de grandes dimensões também estão a assolar a Espanha, onde o primeiro-ministro, Pedro Sánchez, antecipa "momentos difíceis", anunciando que irá deslocar-se na segunda-feira à zona afetada de Castellón, perto de Valência, onde o fogo já consumiu mais de 4.300 hectares e obrigou à retirada de mais de 16 mil pessoas de quase uma vintena de municípios, confirmaram à agência noticiosa espanhola EFE fontes do governo.

Pedro Sánchez renovou também hoje o seu apelo a um "pacto nacional" para combater os efeitos das alterações climáticas.

O incêndio de Vall d'Uixó (município na Comunidade Valenciana), com um perímetro de 40 quilómetros e contra o qual combatem cerca de 450 bombeiros e cerca de vinte meios aéreos, avança neste momento sem controlo e as previsões não são boas.

Já o combate aos incêndios nas regiões espanholas de Madrid, Ávila e Toledo continuou a ter uma evolução positiva ao longo do dia de hoje, embora lento, disse o ministro da Administração Interna de Espanha, Fernando Grande-Marlaska.

"A evolução é mais positiva do que ontem [sábado]. Quero, no entanto, salientar que estamos a avançar muito lentamente", disse o ministro, num ponto de situação ao início da noite, no posto de comando de combate a estes fogos, em Navalcarnero, na região de Madrid.

Perante os incêndios que atingem o país, o Governo espanhol vai aprovar na terça-feira, em Conselho de Ministros, um decreto-real que declarará como zonas gravemente afetadas os territórios que estão a ser devastados pelas chamas.

Espanha declarou a situação de emergência nacional nas províncias de Madrid, Ávila e Toledo por causa dos fogos florestais, que já levaram a confinar ou a retirar de casa mais de 90.000 pessoas desde quinta-feira.