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Madeira

Complexo Social de Santa Clara inclui 20 camas sociais

Nova estrutura hoje inaugurada inclui valência lar, residências assistidas e um Centro Integrado de Longevidade Activa. Ao todo são 130 novos lugares, onde se incluem 40 vagas no Centro de Dia

Nova estrututa disponibiliza 85 camas na modalidade lar. 
Nova estrututa disponibiliza 85 camas na modalidade lar. , Fotos Hélder Santos/ASPRESS

Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Funchal lançou um repto ao bispo do Funchal de modo a ser atribuído um capelão residente para a instituição, assegurando celebrações litúrgicas semanais. A Miguel Albuquerque pediu apoio na resolução da questão da devolução do IVA para as IPSS, no âmbito das obras PRR. A solução foi apontada na hora pelo presidente do Governo Regional.

O novo Complexo Social de Santa Clara, da Santa Casa da Misericórdia do Funchal, entra em funcionamento com várias valências, destacando-se a Estrutura Residencial para Pessoas Idosas (ERPI), vulgo lar, com capacidade para 85 utentes, um centro de dia, cinco residências assistidas e uma componente terapêutica considerada inovadora na Região, incluindo piscina terapêutica, tanque de reabilitação e enfermagem permanente, revelou hoje o provedor da instituição, Jorge Spínola.

À margem da inauguração desta nova estrutura, o responsável explicou que o novo complexo vai muito além de um lar tradicional. "Esta é uma ERPI, mas também tem uma componente de residências assistidas", afirmou, detalhando que a estrutura dispõe de "85 camas" distribuídas por cerca de "55 ou 56 quartos".

Além da resposta residencial, o edifício integra um Centro Integrado para a Longevidade Activa, vocacionado para promover um envelhecimento saudável através de terapias e programas de estimulação cognitiva e motora. Entre os equipamentos disponíveis contam-se uma piscina terapêutica, um tanque terapêutico, gabinetes de fisioterapia e uma sala Snoezelen, que Jorge Spínola classificou como uma estreia na área da geriatria na Madeira. "Na área da deficiência já existe, mas na área da geriatria é a primeira", sublinhou.

Outra das novidades passa pelas residências assistidas, uma resposta inédita na Região, composta por cinco apartamentos, com capacidade para dez pessoas. Destinam-se a casais ou pessoas com mais de 60 anos que pretendam manter uma vida autónoma, beneficiando simultaneamente dos serviços prestados pela instituição.

"O conceito é que um casal de idosos, ou até menos idosos, possa vir para cá, viver num apartamento autónomo, com videoporteiro e tudo independente, mas com acesso a todos os serviços da Santa Casa", explicou.

Vagas sociais e apoio às altas hospitalares

Das 85 camas disponíveis, 20 destinam-se a vagas sociais e outras 15 serão reservadas para doentes com alta clínica hospitalar que aguardam colocação definitiva noutra resposta social.

Jorge Spínola rejeitou as críticas surgidas nas redes sociais quanto aos preços praticados, lembrando que a Santa Casa tem um histórico de apoio a pessoas com baixos rendimentos.

"Fico triste porque fazemos o que se calhar mais nenhuma instituição faz. O Lar de Santa Isabel recebeu ao longo destes anos idosos com pensões de sobrevivência de 300 euros", afirmou.

O provedor reconheceu, no entanto, que uma estrutura desta dimensão "não pode sobreviver com pensões de 300 euros", razão pela qual foram criadas vagas sociais comparticipadas. Explicou ainda que as camas destinadas às altas hospitalares representam "um grande risco", devido à maior vulnerabilidade destes utentes, mas considerou essencial apoiar o Serviço Regional de Saúde.

Preços desde 1.250 euros

O preço das camas privadas começa nos 1.250 euros mensais, valor correspondente a quartos duplos, enquanto as residências assistidas terão mensalidades superiores a 5.000 euros por apartamento.

Segundo Jorge Spínola, estes valores incluem todos os serviços prestados pela instituição, desde alimentação e tratamento de roupa ao acesso às infraestruturas terapêuticas.

"Acho que o preço está dentro do que é possível", sustentou.

Nas vagas sociais existe comparticipação pública, sendo o apoio ajustado em função da situação económica dos utentes. "O objectivo é que também pessoas de baixos rendimentos possam ter acesso à estrutura", afirmou.

Obra custou mais do que o financiamento do PRR

O novo equipamento foi construído ao abrigo do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que financiou integralmente a construção do edifício, num investimento de cerca de 13,3 milhões de euros.

Contudo, Jorge Spínola salientou que a Santa Casa teve de suportar uma parte significativa dos custos associados ao apetrechamento da estrutura.

"A estrutura física está comparticipada a 100% pelo PRR, mas equipamentos, fardas, utensílios, talheres e um conjunto de aquisições não são comparticipáveis e exigem um grande esforço financeiro da Santa Casa", explicou.

Entre 40 e 50 novos postos de trabalho

A instituição prevê criar entre 40 e 50 novos postos de trabalho à medida que os utentes forem sendo admitidos.

Entre as principais novidades está a existência de enfermagem permanente durante as 24 horas do dia, um serviço que ultrapassa as exigências regulamentares.

"Vamos inovar na Região e ter enfermagem 24 horas por dia", anunciou Jorge Spínola, acrescentando que a maior dificuldade de recrutamento se verifica na contratação de ajudantes de lar.

Os primeiros residentes já começaram a ocupar a nova estrutura. Os cerca de 26 utentes do Lar de Santa Isabel foram transferidos temporariamente para o novo edifício, enquanto decorrem as obras de remodelação das antigas instalações, cuja conclusão deverá ocorrer dentro de aproximadamente duas semanas.

As candidaturas continuam abertas e podem ser efectuadas através da plataforma online da Santa Casa da Misericórdia do Funchal. Segundo o provedor, já foram recebidas numerosas pré-inscrições e algumas situações urgentes deram mesmo origem à admissão de utentes antes da inauguração oficial do equipamento.