Para agradar a Gregos e Troianos?
O DN-M publicou, no dia 16 de Junho, um artigo sobre o Novo Acordo Ortográfico, escrito por Marco Neves, um professor em linguística e tradutor. Há três, e apenas três pontos nesse artigo que considero correctos e relevantes: a inutilidade do Novo Acordo, a falta de adesão de outros países lusófonos e a recusa da Espanha e do Reino Unido – sem se dar à macaca de mencionar a França - em alterar seja o que for no seu sistema ortográfico.
Todavia, sinto-me no dever de alertar os leitores para certos aspectos menos felizes, - para não dizer ridículos e enviesados - desse artigo: quando afirma que as diferenças ortográficas – sem sequer falar nas orais, note-se - entre o português de Portugal e as do Brasil são insignificantes e pouco frequentes, mente descaradamente. As diferenças são muitas e importantes; quando alega que há aspectos xenófobos na luta contra o acordo, falta também à verdade porque é inegável a influência africana na ortografia e na pronúncia do português do Brasil. Retirando os três pontos acima mencionados, o artigo peca por cobardia intelectual.
Sejamos claros: é por demais evidente que o professor quer evitar confrontos com os seus pares porque não põe em evidência a culpabilidade destes últimos na implementação deste malfadado acordo.
Asdrúbal J. C. Vieira