Montenegro diz que coligações negativas custaram mais de 1.200 milhões de euros
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, revelou hoje que as medidas aprovadas por PS e Chega têm um impacto financeiro de mais de 1.200 milhões de euros e acusou estes partidos de "condicionamento da ação governativa".
"Não há dúvida, são entre 1.200 a 1.300 milhões de euros os impactos financeiros das medidas que foram decididas pela convergência, presumo que estratégica, estrutural, do ponto de vista do pensamento político, do PS e do Chega", afirmou.
Luís Montenegro adiantou estes números durante o debate sobre o estado da nação, em resposta ao líder parlamentar do CDS-PP, Paulo Núncio.
"Nós não estamos a falar de impactos apenas de uma vez, estamos a falar de impactos permanentes, estamos a falar de medidas que vão ter e têm uma aplicação permanente, estamos a falar de condicionamento da ação executiva, com certeza", lamentou.
O primeiro-ministro referiu que, "em quatro diminuições de IRS", o Governo devolveu às famílias portuguesas dois milhões de euros e disse que se tivesse "mais 1.300 milhões de euros disponíveis" podia, "entre outras coisas, ter descido ainda mais o IRS em Portugal".
Montenegro assinalou que o Chega e o PS "escolheram congelar o aumento de 13 euros por ano das propinas e com isso retirar instrumentos para uma ação social ainda mais efetiva e para uma política fiscal ainda mais efetiva", e "quiseram que todos os automóveis que passam naqueles troços de autoestrada que isentaram fossem usufrutuários dessa vantagem, mesmo que sejam automóveis estrangeiros ou mesmo que sejam automóveis de aluguer de pessoas que estão episodicamente em Portugal".
"Aqueles que estão sempre preocupados com a sensibilidade e com a justiça relativa das decisões preferem entregar de mão beijada esta vantagem de forma indiscriminada a todos, ao invés, pelo menos, de a direcionarem de forma exclusiva a quem vive naqueles territórios e a quem tem um impacto na sua vida diária mais efetivo", disse, considerando estar em causa "decisões que criam, em muitos casos, injustiça relativa".
"Mas a nossa esperança é que estes maus exemplos possam, pelo menos, despertar a consciência destes partidos e que eles possam conduzir a sua política atendendo, efetivamente, à sensibilidade social de ajudar quem mais precisa e à justiça relativa de não tratar de forma igual aquilo que é diferente", salientou.
O líder parlamentar do CDS-PP realçou os resultados do Governo da AD e disse que "foram conseguidos, não obstante o aumento da despesa provocado pelos acordos entre os dois maiores partidos da oposição".
"Não foi só na sexta-feira que o deputado André Ventura andou a bater à porta dos gabinetes do PS. Nos últimos dois anos as medidas irresponsáveis e despesistas acordadas entre o PS e o Chega já custaram ao país mais de mil milhões de euros", referiu, falando num "custo astronómico".
Paulo Núncio considerou também que "a esquerda nunca fala da imigração descontrolada e das consequências gravíssimas que a imigração descontrolada teve no estado da saúde, da educação e da habitação".
"A imigração descontrolada sempre foi uma carta fora do baralho do PS, e é de uma hipocrisia total. A esquerda que se queixa agora da dificuldade de resposta dos serviços públicos é a mesmíssima esquerda que tornou Portugal numa referência mundial de facilitismo de imigração ilegal", acusou.
Na resposta, o primeiro-ministro concordou com o parceiro de coligação que "os efeitos da política de imigração dos últimos anos são enormes".
"Temos quase mais de 500 mil utentes no Serviço Nacional de Saúde, nos serviços primários. Porquê? Porque nos andaram a esconder o efeito que este movimento tinha tido na sociedade. Nós temos mais cerca de 125 mil alunos estrangeiros nas nossas escolas e nós precisamos de ter capacidade de resposta. Nós queremos dar resposta também aos imigrantes que vêm para Portugal, mas isto devia ter sido prevenido, antecipado e programado. Nós tivemos de responder em dois anos. Mesmo assim, quem nada fez durante oito anos, ainda é capaz de se queixar", salientou.