Israel ameaça Teerão com resposta "decisiva" caso sofra ataque
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, advertiu hoje os líderes iranianos que Israel responderá de forma "decisiva" e "muito mais poderosa" do que aquilo que fez até agora no caso de voltar a ser atacado pelo Irão.
"Só posso dizer uma coisa aos líderes do Irão: não esperem que haja silêncio se nos atacarem. Não esperem que se repita o que aconteceu anteriormente, porque não será uma repetição, apesar de aquilo já ter sido suficientemente contundente. Isto será algo diferente, muito mais poderoso", ameaçou o chefe de governo israelita.
Netanyahu proferiu esta ameaça durante uma visita a Dimona, cidade do sul de Israel que alberga uma instalação oficialmente dedicada à investigação nuclear, mas apontada como o local onde se encontra o arsenal nuclear não declarado do país, numa altura em que se verifica uma escalada das hostilidades entre o seu aliado norte-americano e Teerão, com uma intensidade sem precedentes desde o cessar-fogo de abril.
Em retaliação aos ataques norte-americanos lançados nos últimos três dias -- que incluíram bombardeamentos, nas últimas horas, contra "alvos militares em todo o Irão", entre os quais Bushehr, Chah Bahar, Jask, Konarak, Abu Musa e Bandar Abbas --, o Irão disparou mísseis contra os seus vizinhos do Golfo e contra a Jordânia, aliados dos Estados Unidos na região.
Na passada sexta-feira, Teerão avisou que responderia a quaisquer ataques contra as suas infraestruturas, incluindo ações militares contra Israel.
"Retaliaremos qualquer ataque às nossas infraestruturas, e o regime sionista criminoso (...) não será poupado", afirmou então o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão, Mohammad Bagher Zolghadr, num comunicado divulgado pela televisão estatal iraniana.
Hoje, Netanyahu garantiu que Israel está preparado para "qualquer cenário", insistindo que, em caso de ataque, a resposta será muito mais dura.
"Já ficaram para trás os dias em que alguém nos fazia mal e não respondíamos devolvendo o golpe com o dobro da força. Agimos assim contra o 'eixo do mal' no Irão e continuaremos a fazê-lo com quem quer que nos prejudique. É isso que fazemos", declarou.
Teerão e Washington firmaram um memorando de entendimento em 17 de junho. Após terem encontrado este ponto de entendimento, as duas partes retomaram negociações com vista a uma resolução duradoura do conflito, desencadeado a 28 de fevereiro por uma ofensiva conjunta entre Israel e os Estados Unidos contra a República Islâmica.
No entanto, após ataques contra navios no estreito de Ormuz atribuídos à República Islâmica, os Estados Unidos retaliaram e visaram alvos iranianos, com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a anunciar durante a cimeira da NATO da semana passada em Ancara que o cessar-fogo com o Irão tinha acabado.