DNOTICIAS.PT
A Guerra Mundo

PCP critica "política belicista" dos aliados e subordinação de Portugal

None
Foto Global Imagens

O PCP criticou hoje a "insistência na política belicista" por parte dos países da NATO, após a cimeira em Ancara na semana passada, e "a subordinação e o alinhamento" do Governo português às grandes potências.

Em comunicado, o PCP condenou "a subordinação e o alinhamento do Governo português com a escalada belicista do imperialismo, a sua submissão aos interesses dos Estados Unidos (EUA), como das grandes potências da UE (União Europeia), opções contrárias aos interesses do povo e do país".

"Portugal deve dissociar-se da política agressiva e das guerras dos EUA, da NATO e da UE, devendo afirmar a soberania e independência nacionais e contribuir, no âmbito das suas relações externas, para a resolução pacífica dos conflitos internacionais, a paz, um sistema de segurança coletiva, a cooperação, de acordo com os princípios da Constituição da República Portuguesa", pode ler-se.

A cimeira da NATO, que decorreu na semana passada em Ancara, ficou marcada pelo início da "europeização" da Aliança Atlântica, exigida há muito pelo Presidente norte-americano, Donald Trump.

Os chefes de Estado e de Governo aprovaram um pacote de 50 mil milhões de dólares (cerca de 44 mil milhões de euros) para novas aquisições militares e reafirmaram o compromisso de atingir a ambiciosa meta de investimento equivalente a 5% do produto interno bruto (PIB) de cada país membro na área da defesa.

Apesar da incerteza inicial gerada pelas posições norte-americanas, os aliados reafirmaram a sua coesão e o compromisso inabalável com o Artigo 5.º do Tratado do Atlântico Norte que prevê que um ataque a qualquer país-membro seja considerado um ataque contra todos.

Para o PCP, a cimeira da NATOinsistiu "na sua política belicista, confirmando que são os EUA e os seus aliados os primeiros e principais responsáveis pelo desenfreado aumento das despesas militares, pela grave escalada armamentista, pela instigação da confrontação, do militarismo e da guerra, com todas as suas consequências e riscos que representam para os povos do mundo".

"Quando os membros da NATO já gastam mais que todos os outros países que integram a ONU no seu conjunto, a NATO anuncia mais e mais milhares de milhões para o armamento e a guerra, pondo pressão sobre os salários e as pensões, no ataque aos serviços públicos -- na saúde, educação, segurança social --, ao direito à habitação, no agravamento do custo de vida, no aumento das dificuldades de quem trabalha, dos idosos e dos jovens, das injustiças e das desigualdades sociais", defenderam os comunistas.

O PCP sublinhou ainda que a NATO "é responsável por décadas de corrida aos armamentos, pelo apoio a guerras coloniais, pela cumplicidade com golpes de Estado, pela promoção da ação terrorista".

"Desencadeou guerras contra a Jugoslávia, o Afeganistão ou a Líbia e apoiou a agressão e a ocupação militar do Iraque. E, em geral, os seus países membros têm apoiado e sido cúmplices do genocídio do povo palestiniano às mãos de Israel, das agressões militares de Israel a outros países do Médio Oriente ou da guerra dos EUA e Israel contra o Irão", frisou também.

Para o PCP, a Aliança Atlântica "continua a instigar e a impulsionar o prolongamento da guerra na Ucrânia - desencadeada com o golpe de Estado de 2014 e agravada em 2022 -, assim como a expandir a sua presença e estrutura militar para o Leste da Europa, com os sérios riscos de um conflito de catastróficas proporções".

A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, com o argumento de proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e "desnazificar" o país vizinho, independente desde 1991 - após a desagregação da antiga União Soviética - e que tem vindo a afastar-se do espaço de influência de Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente.