Preço mundial do café cai 2,8% em junho para o nível mais baixo em quase 2 anos
O preço mundial do café caiu 2,8% em junho em relação a maio e situou-se "no nível mais baixo em quase dois anos" num mercado atento aos efeitos do El Niño, anunciou hoje a ICO.
Segundo a ICO (International Cofee Organization, Organização Internacional do Café), o mercado está atento aos efeitos do El Niño, que "se tornará um Super El Niño no final de 2026".
A cotação do café alcançou em junho uma média de 248,90 centavos de dólar por libra - equivalente a cerca de 453 gramas - (217,80 centavos de euro/libra), segundo a ICO.
A organização explicou no último relatório que os preços continuaram a tendência de queda observada no mês anterior até 09 de junho, quando em média o café se cotou 231,96 centavos de dólar/libra, para depois "subir abruptamente" para 272,39 centavos de dólar/libra no final do mês.
"O clima voltou a emergir como o principal motor da dinâmica dos preços do café", assegurou a ICO antes de precisar que, embora a perspetiva de fornecimento seja cada vez mais positiva, as notícias de possíveis grandes efeitos do El Niño nas produções fizeram o preço disparar.
Explicou também que a queda das exportações em maio, somada à escassez de inventários e a uma maior diminuição das existências certificadas de café arábica nos Estados Unidos, gerou "nervosismo no mercado".
Em relação à produção brasileira, apontou que as chuvas, superiores à média, estão a retardar a colheita e afetaram a qualidade do grão, com perdas localizadas que se traduziram num impulso dos preços.
Por tipos de café, os preços dos suaves colombianos aumentaram em junho 0,4%, os suaves brasileiros diminuíram 2,4%, os naturais brasileiros caíram 7,4% e o do café robusta da Colômbia cresceu uma média de 1,7%, segundo os indicadores da ICO.
Segundo o portal financeiro Trading Economics, o café está hoje a cotar-se nos mercados futuros a 329,02 centavos de dólar/libra (287,91 centavos de euro/libra).
"A volatilidade intensificou-se recentemente, uma vez que os fornecimentos globais ajustados aumentaram a sensibilidade do mercado aos desenvolvimentos climáticos, o que levou os investidores a ajustarem rapidamente as suas posições", asseguraram analistas da Trading Economics, citados pela Efe.
Adicionaram que os investidores continuam a monitorizar o risco do El Niño e o possível impacto deste no desenvolvimento da colheita 2027/28.