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Quase metade de doentes hospitalizados desenvolvem complicações graves devido a vírus respiratório

Estudo da ULS de Coimbra analisou mais de 24 mil internamentos por infecções respiratórias em seis anos e mostra elevada mortalidade e forte impacto do VSR em idosos e doentes crónicos

Foto Shutterstock
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Um estudo realizado na Unidade Local de Saúde (ULS) de Coimbra analisou 24 mil internamentos de adultos por infeções respiratórias entre 2018 e 2024, dos quais 2.257 estiveram associados ao vírus sincicial respiratório (VSR). A investigação conclui que a infeção por este vírus está associada a complicações frequentes e a uma taxa de mortalidade intra-hospitalar de 17,8%.

Segundo os resultados, divulgados hoje, 48,7% dos doentes internados com VSR desenvolveram falência respiratória e mais de 60% apresentaram infeções bacterianas secundárias durante o internamento.

O pneumologista e investigador da ULS de Coimbra, Tiago Alfaro, refere que os dados mostram que o VSR representa uma doença grave em adultos, sobretudo entre as populações mais vulneráveis, defendendo maior atenção à prevenção e à vigilância da infeção.

O estudo indica ainda que 91% dos internamentos por VSR ocorreram em pessoas com mais de 60 anos e que mais de metade dos doentes apresentava doenças crónicas associadas a um maior risco de complicações.

A análise identificou também um padrão sazonal da circulação do vírus, com maior incidência durante o inverno. A prevalência mais elevada foi registada na época de 2022/2023, quando o VSR representou 16,6% dos internamentos por infeção respiratória analisados.

Os investigadores consideram que o impacto do vírus sincicial respiratório nos hospitais poderá estar subestimado, apontando para a carga assistencial observada ao longo do período em análise.

O estudo decorreu na ULS de Coimbra entre 2018 e 2024, abrangendo seis épocas de inverno e mais de 24 mil internamentos de adultos por infeções respiratórias.