Confrontos devido a bloqueios de estradas na Bolívia deixaram 35 feridos
A Provedoria de Justiça disse que 16 civis e 19 polícias ficaram feridos devido a confrontos durante operações de desbloqueio de estradas na Bolívia, ocupadas por grupos que exigem a demissão do Presidente Rodrigo Paz.
A entidade de defesa dos direitos humanos indicou que realizou "uma verificação in loco e um acompanhamento rigoroso da evolução médica" dos feridos em quatro hospitais da zona de Santa Cruz, no leste da Bolívia, onde confirmou a presença "de 16 civis feridos e 19 polícias afetados".
Num comunicado, a Provedoria indica que 14 dos 16 civis tiveram alta e mantêm "tratamento ambulatório", enquanto dois permanecem hospitalizados após os confrontos de sábado.
Sobre a situação dos polícias, a agência indicou que "encontrou cinco vítimas", das quais quatro estão hospitalizadas.
Um agente, baleado na cabeça, continua em avaliação para dar entrada nos cuidados intensivos, embora não tenha adiantado mais pormenores sobre os restantes agentes.
O Provedor de Justiça, Pedro Callisaya, manifestou preocupação com as agressões a civis e polícias e pediu às autoridades que todas as ações das forças de segurança sejam realizadas "sob os padrões internacionais de direitos humanos".
A polícia, o exército e alguns ativistas realizaram no sábado de manhã uma ação conjunta em San Julián, localidade situada 117 quilómetros a nordeste de Santa Cruz, a maior cidade da Bolívia, na estrada que liga a região de Beni e o oeste do país.
A operação, em que foi usado gás lacrimogéneo, conseguiu desbloquear a estrada, mas pouco depois os manifestantes reagruparam-se e reforçaram os pontos de bloqueio, o que levou a um confronto com a polícia que durou mais de quatro horas.
O comandante da polícia de Santa Cruz, David Gómez, disse que um grupo de residentes de San Julián entrou na esquadra da cidade, roubou objetos valiosos e depois incendiou as instalações.
A Bolívia confronta-se há mais de um mês com um movimento de protesto, liderado por agricultores, operários, mineiros, camionistas e professores que, depois de reivindicarem soluções para a grave crise económica do país, exigem agora a demissão do Presidente de centro-direita, aliado de Washington.
Nas últimas semanas, os bloqueios de estradas espalharam-se por oito das nove regiões da Bolívia, provocando escassez de alimentos, combustível, medicamentos e, em particularmente, oxigénio para os centros de saúde.
O Governo de Paz acusa o ex-presidente socialista Evo Morales (2006-2019), alvo de um mandado de captura num caso que envolve o alegado tráfico de uma menor, de estar por detrás dos distúrbios.
Quando chegou ao poder, há seis meses, Rodrigo Paz fez questão de restabelecer as boas relações com os Estados Unidos, autorizando que elementos da agência antidroga norte-americana interviessem no país produtor de cocaína.