Polónia e Lituânia confirmam a exploração de um papel maior na dissuasão nuclear
A Polónia e a Lituânia confirmam que estão a participar em discussões sobre o seu potencial papel nos esforços para a dissuasão nuclear da NATO, que tem por base as armas nucleares dos EUA na Europa.
Enquanto as conversações estão numa fase inicial, a expansão da dissuasão nuclear dos EUA na Europa poderia tranquilizar os aliados do continente sobre o contínuo apoio militar americano, numa altura em que o Presidente Donald Trump liderou um esforço para reduzir o envolvimento convencional do seu país na defesa da Europa.
"Estamos a falar, de forma a criar melhores condições para a dissuasão nuclear e para que a Polónia desempenhe um papel importante nisso", afirmou ontem à Rádio Polaca o Vice-Ministro da Defesa polaco, Pawel Zalewski.
A Polónia, no entanto, negou quaisquer planos para usar armas nucleares.
Isso seria "uma questão extremamente séria, que é grave em termos de consequências políticas", sublinhou.
"De facto, estão a decorrer discussões. Não quero entrar em detalhes neste momento, pois são classificadas, mas as discussões estão em curso e a Lituânia certamente não está a assistir de fora", afirmou também o Ministro da Defesa lituano, Robertas Kaunas, na terça-feira, segundo a agência de notícias BNS.
Ambos os ministros fizeram estas declarações depois de fontes anónimas citadas na terça-feira pelo jornal Financial Times terem afirmado que os Estados Unidos tinham sinalizado a abertura para destacamento de elementos do seu arsenal nuclear para novos países europeus, além dos seis atualmente considerados como anfitriões de armas nucleares.
O FT informou que a Polónia e os estados bálticos da Estónia, Letónia e Lituânia, os membros da NATO localizados mais próximos da Ucrânia, eram potenciais interessados em acolher bases para aeronaves de dupla capacidade dos EUA, que podem transportar ogivas convencionais ou nucleares.
O Pentágono recusou comentar, mas um responsável do Departamento de Defesa disse que os EUA e a NATO "avaliam continuamente o ambiente de segurança" e trabalham para manter dissuasores eficazes.
Os Estados Unidos estacionam armas nucleares em vários países europeus há décadas, como parte das suas garantias de segurança para os aliados da NATO.
Nos últimos anos, a guerra da Rússia contra a Ucrânia e a ameaça mais ampla que Moscovo representa para a NATO têm levado a discussões sobre a possibilidade de expandir a cooperação nuclear dos EUA com a Europa.
"O trabalho de avaliação e potencial adaptação da postura de dissuasão nuclear da NATO tem estado em curso há vários anos e não está relacionado com qualquer decisão tomada pelos EUA de ajustar a sua postura convencional na Europa", disse à agência noticiosa AP um responsável pela comunicação da NATO, mas não autorizado a ser identificado publicamente.
O programa de partilha nuclear da NATO inclui armas nucleares dos EUA instaladas na Bélgica, Alemanha, Itália, Países Baixos, Turquia e Reino Unido, assim como aeronaves de dupla capacidade pertencentes tanto aos EUA como aos seus aliados. Os EUA mantêm o controlo total sobre essas armas nucleares.
A Polónia expressou a sua disponibilidade para participar no programa de dissuasão nuclear dos EUA desde o início da invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia em 2022, com o ex-presidente Andrzej Duda a apoiar a receção de armas nucleares.
O governo atual, liderado por Donald Tusk, tem sido mais cauteloso, falando apenas sobre um papel maior na dissuasão nuclear.
Os EUA, no entanto, indicaram repetidamente que colocar armas nucleares em países do leste da NATO seria demasiado provocador para a Rússia, recorda Artur Kacprzyk, analista de dissuasão nuclear do Instituto Polaco de Assuntos Internacionais em Varsóvia, à AP.
No início deste ano, a Polónia disse que seria um dos vários países europeus a aderir à iniciativa de França de coordenar os seus esforços de dissuasão nuclear com os aliados europeus.
A França tem sido a única potência nuclear na União Europeia desde a saída da Grã-Bretanha do bloco, em 2020.
A Grã-Bretanha, Alemanha, Países Baixos, Bélgica, Grécia, Suécia, Dinamarca e Noruega também indicaram ter interesse na iniciativa francesa, que permite a instalação temporária das aeronaves armadas nuclearmente da França em países aliados.
Também permite que os parceiros participem nos exercícios de dissuasão da França e que as forças não nucleares dos aliados participem nas atividades nucleares da França.
O Ministro da Defesa polaco, Wladyslaw Kosiniak-Kamysz, disse à estação de televisão polaca TVP na terça-feira que a dissuasão nuclear seria discutida durante uma reunião da NATO em Bruxelas no dia 18 de junho.