Jovens têm de compreender as consequências da corrupção
A coordenadora de uma iniciativa das Nações Unidas de combate à corrupção, cujas ferramentas foram hoje disponibilizadas em português, num lançamento ocorrido na sede da CPLP, considerou que os jovens têm de perceber as consequências deste crime.
O Escritório da Organização das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) e a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) lançaram esta manhã, na sede da organização lusófona, em Lisboa, as ferramentas educativas em língua portuguesa da iniciativa GRACE - Recurso Global para a Educação e Empoderamento dos Jovens na área do combate à corrupção.
Segundo a coordenadora da iniciativa GRACE, Bianca Kopp, desde 2025 que o projeto reforçou as ações preventivas, o que os conduziu a darem cada vez mais importância ao papel da educação na prevenção do crime e corrupção.
"A corrupção é o cancro da sociedade. Precisamos que todos os jovens percebam por que a corrupção é prejudicial, quais são as suas consequências e por que todos devemos fazer parte dos esforços para a prevenir e combater", declarou Bianca Kopp.
Nesse seguimento, foram lançadas as traduções das ferramentas GRACE, disponíveis para jovens de vários ciclos escolares e respetivos professores, para que percebam melhor as questões relacionadas com a corrupção e respetivos crimes e como estes têm impacto na sociedade.
Concretamente, a abordagem da iniciativa GRACE está assente em três pilares: educar, empoderar e conectar (organismos e pessoas), explicou Kopp.
De acordo com a secretária-executiva da CPLP, Maria de Fátima Jardim, a cooperação entre a organização lusófona e a UNODC tem vindo a consolidar-se ao longo dos anos.
"A disponibilização dos materiais em língua portuguesa possui um significado muito especial para a comunidade lusófona, pois permite uma aproximação entre sociedades e uma construção de respostas comuns para os desafios globais, mas também para os desafios das agendas nacionais", referiu, na sessão de abertura.
Para a responsável, a prevenção para a corrupção "começa não só nas instituições e mecanismos jurídicos, mas sobretudo na educação, na ética, na parte cívica", nomeadamente "na escola, na universidade e na formação da cidadania participativa".
"É precisamente nesse contexto que a iniciativa GRACE assume particular relevância ao colocar à disposição dos países de língua portuguesa instrumentos pedagógicos que promovem a ética, a responsabilidade cívica e a participação dos jovens", referiu.
"Ao acolher este evento na nossa sede, damos não só as boas-vindas, mas reafirmamos o compromisso da CPLP com a educação para o desenvolvimento, com a promoção da cidadania, com a construção de sociedades democráticas, mais justas, inclusivas, transparentes e duradouras", acrescentou.
A chefe da Secção de Corrupção e Crime Económico e Responsável pela Divisão de Assuntos de Tratados do UNODC, Brigitte Strobel-Shaw, salientou, numa mensagem de vídeo, que "a corrupção custa aos países milhares de milhões de dólares todos os anos".
Por outro lado, corrói a confiança pública, prejudica o desenvolvimento, enfraquece as instituições e nega às pessoas oportunidades e justiça, salientou.
"Prevenir a corrupção exige uma abordagem de toda a sociedade, que deve começar cedo. Quando as crianças e os jovens compreendem o impacto da corrupção e adotam valores - como a justiça, a responsabilidade e o respeito pelo Estado de Direito -, cria-se uma cultura de integridade capaz de resistir à corrupção a partir da base", reforçou.
Além disso, Strobel-Shaw considerou que, nos países da CPLP, "os jovens representam uma força poderosa de mudança" e que "o facto de várias ferramentas estarem agora disponíveis em português vai além da tradução em si", pois são também uma oportunidade de expansão de conhecimento para milhões de estudantes.
Também o Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta - nação que detém a presidência temporária da organização - declarou, numa mensagem de vídeo transmitida, que "a corrupção continua a ser um dos maiores obstáculos ao desenvolvimento sustentável".
"Ao colocar-se a educação no centro do combate à corrupção, investe-se em consciência ética nas novas gerações", indicou o chefe de Estado.
Segundo o Índice de Perceção da Corrupção (IPC), disponibilizado em fevereiro e que este ano classificou 182 países e territórios de acordo com os seus níveis percecionados de corrupção no setor público numa escala de zero (altamente corrupto) a 100 (muito íntegro), Cabo Verde (62) surge como a nação da CPLP com melhor classificação, seguida de Portugal (56), que cai um ponto em relação ao ano passado, sendo estes os únicos dois países a manterem-se acima dos 50 no IPC.
Os restantes países da CPLP obtiveram classificações negativas: Timor-Leste (45) São Tomé e Príncipe (43), Brasil (35) Angola (32) -- estando estes na ou acima da média de 32 em 100 na África subsaariana -, Guiné-Bissau (21), Moçambique (21), Guiné Equatorial (15).
A CPLP, que em 17 de julho assinala 30 anos, é composta por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.