Afeganistão acusou Paquistão de matar 36 civis no leste do país
Pelo menos 36 civis morreram e 136 ficaram feridos na sequência dos ataques levados a cabo pelo Paquistão contra três províncias do leste do Afeganistão, disse hoje o porta-voz adjunto do Governo talibã.
De acordo com o porta-voz do Governo do Afeganistão, Hamdullah Fitratos, os ataques da Força Aérea do Paquistão visaram a população civil.
O Paquistão confirmou os ataques aéreos mas especificou que se tratou de uma operação contra membros de um grupo talibã paquistânes.
O ministro da Informação do Paquistão, Attaullah Tarar, declarou que três alvos localizados nas províncias afegãs de Paktia, Paktika e Kunar foram destruídos em "ataques de precisão" na última noite referindo que morreram 25 combatentes talibã.
Por outro lado, declarou que a ofensiva também incluiu operações terrestres em regiões fronteiriças e que visaram o Jamaat-ul-Ahrar, um grupo dissidente dos talibãs paquistaneses (Tehreek-e-Taliban Pakistan, ou TTP).
Tarar indicou que as últimas operações ocorreram após um ataque realizado no sábado à noite contra um acampamento da força paramilitar Pakistani Rangers em Karachi, e depois de incidentes recentes nas províncias fronteiriças.
O Paquistão acusou o Afeganistão de proteger combatentes do movimento talibã paquistanês (TTP).
Pelo menos 372 civis afegãos foram mortos em virtude de operações militares entre 01 de janeiro e 31 de março, segundo um relatório das Nações Unidas publicado em meados de maio.
As relações entre o Paquistão e o Afeganistão deterioraram-se desde que as autoridades talibãs regressaram ao poder, em 2021.
Islamabade afirmou repetidamente que os ataques no Afeganistão visaram combatentes talibã.
Os esforços de mediação liderados por vários países, incluindo a República Popular China, não conseguiram alcançar uma solução duradoura.
A fronteira continua parcialmente fechada desde o agravamento da violência em outubro do ano passado, paralisando o comércio na região.