Juventude do JPP critica “indiferença” dos governos em relação a problemas na mobilidade dos estudantes
A Juventude do Juntos pelo Povo (JPP) acusou esta sexta-feira os governos PSD/CDS, na Região e na República, de “profunda indiferença” para com os estudantes madeirenses que estudam no continente, confrontados que estão, desde o dia 15 de Junho, com a suspensão do programa “Estudante Insular” e com a falta de uma alterantiva.
“Esta decisão surge numa altura particularmente sensível, quando muitos estudantes ainda se encontram a concluir a época de exames e a preparar as suas deslocações de regresso à Madeira, sem saberem se o vão conseguir face aos preços escandalosos que a TAP e demais companhias aéreas estão a exigir pelas passagens, preços completamente inacessíveis aos orçamentos de muitas famílias”, denuncia a dirigente da Juventude do JPP e autarca, Andreia Gouveia.
Depois de um ano de estudo, de exames e sacrifícios para suportar despesas elevadas com a habitação e a alimentação, aquilo que os governos regional e nacional do PSD oferecem aos estudantes madeirenses e às famílias é incerteza, instabilidade e imprevisibilidade". Andreia Gouveia
Para a jovem dirigente, este problema, se não for resolvido rapidamente, irá afectar também os jovens que este ano ingressam no ensino superior e que dependem deste mecanismo para prosseguir os seus estudos em igualdade de circunstâncias com os restantes estudantes do país.
Andreia Gouveia diz que o JPP tem procurado que o Governo da República apresente uma solução alterantiva e recorda que o deputado do JPP no parlamento nacional, Filipe Sousa, tem alertado para as consequências desta suspensão. “Infelizmente, a resposta do Governo foi marcada pela indiferença e pela falta de soluções concretas para um problema que afecta directamente milhares de famílias”, sublinha.
Na sua opinião, a passividade do Governo Regional e a indiferença da República, demonstram um profundo desconhecimento da realidade que se vive na Madeira. “Os madeirenses enfrentam diariamente um custo de vida elevado, rendimentos muitas vezes insuficientes e despesas acrescidas decorrentes da insularidade. Agora, são ainda confrontados com a possibilidade de terem de suportar integralmente o custo das viagens aéreas, e isso não está ao alcance de muitas famílias”, refere.
A pergunta que a dirigente do JPP coloca é simples: “Como é que uma família consegue pagar uma passagem aérea que pode custar entre 500 a 700 euros, ou até mais, sem qualquer garantia de reembolso ou apoio? Como é que um estudante consegue planear a sua vida académica quando lhe é retirado um instrumento fundamental para assegurar a sua mobilidade?”
Andreia Gouveia diz não aceitar que os estudantes madeirenses sejam penalizados apenas por viverem numa região ultraperiférica, nem que a insularidade continue a representar um obstáculo ao acesso à educação e à igualdade de oportunidades.
A Juventude do JPP exorta os governos da Região e da República a apresentarem “soluções imediatas para este problema e a reporem de forma célere um mecanismo que assegure aos estudantes a previsibilidade, a segurança e o apoio de que necessitam, num momento em que estão a planear o seu regresso à Madeira, depois de um ano de estudo. Os jovens da Madeira merecem respeito. Merecem ser ouvidos. E merecem que os seus direitos sejam defendidos”.
Andreia Gouveia afirma que o acesso à educação não pode ficar dependente da capacidade financeira de cada família para pagar, do seu próprio bolso, os custos da insularidade. “É tempo de o Governo da República e o Governo Regional assumirem as suas responsabilidades e garantir que nenhum estudante fique para trás”, conclui.