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CMA Media planeia vender os nove canais locais da BFM para poupar dinheiro

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Foto Shutterstock

O grupo CMA Media, proprietário da BFMTV, RMC, La Tribune e Brut, está a planear vender os nove canais de televisão locais da BFM para reduzir custos, disse hoje à AFP a presidente executiva (CEO).

Este plano faz parte de uma estratégia para gerar 20 milhões de euros de poupança para o grupo, o que representa 5% dos seus custos.

A CMA Media é detida pela multinacional francesa CMA CGM, uma das maiores empresas de transporte marítimo e logística do mundo, liderada pelo bilionário Rodolphe Saadé.

"Precisamos de reduzir os nossos custos nos nossos negócios tradicionais [custos de produção, programação, técnicos e de transmissão] para investir em novos segmentos como o desporto, os criadores de conteúdos e as redes sociais", disse à AFP a CEO da CMA Media, Claire Léost.

Num contexto geral de mudanças no mercado televisivo (diminuição do tempo de visualização e captação da publicidade pelas plataformas digitais), "não conseguimos encontrar um modelo de negócio viável para os canais locais", explicou a responsável.

Estes canais "dependem da publicidade local, que migrou completamente para as plataformas digitais", e "dos investimentos das autarquias locais", que também diminuíram, detalhou.

"O nosso objetivo é encontrar compradores para estes canais que tenham um modelo de negócio mais sustentável, com grupos que estejam mais virados para o âmbito local do que um grupo como a CMA Media", acrescentou.

Segundo a mesma, o seu grupo já recebeu "várias manifestações de interesse" e o objetivo é "encontrar uma solução até ao final do ano".

Ao todo, são nove: Lyon, Marseille Provence, Grand Lille, Grand Littoral, Dici (Alpes do Sul e Alta Provença), Toulon Var, Nice Côte d'Azur, Alsácia e Normandia. Uma décima, a BFM Paris Île-de-France, encerrou as suas atividades em março de 2025.

No âmbito deste projeto de "otimização de custos", a CMA Media vai lançar um programa de saídas voluntárias na sua divisão audiovisual RMC BFM. Os procedimentos legalmente exigidos para informar e consultar os representantes dos trabalhadores terão início no final de agosto.

Nesta fase, a administração não definiu um número específico de despedimentos.

Além destas medidas de redução de custos, a CMA Media afirma que pretende "continuar a investir em atividades que impulsionem o seu crescimento nos próximos anos", segundo um memorando interno a que a AFP teve acesso.

O grupo vai lançar a sua nova plataforma de streaming, RMC+, em setembro e anunciou a criação da CMA Studio, um braço de produção audiovisual que visa atingir "o mercado das plataformas e das redes sociais", segundo Léost.

Além disso, a CMA Media está em processo de aquisição do canal de televisão RMC Sport. Este pertence ao grupo Altice, que vendeu a BFMTV e a RMC à CMA CGM em 2024.

Por fim, a CMA Media pretende expandir a sua atividade na criação de conteúdos 'online' através de parcerias com criadores.