Número de estrangeiros mais do que duplicou em quatro anos na Madeira
A Região ganhou perto de 12 mil estrangeiros entre 2021 e 2025, o que confirma a crescente importância dos movimentos migratórios para o crescimento populacional
A Região ganhou perto de 12 mil estrangeiros entre 2021 e 2025, o que confirma a crescente importância dos movimentos migratórios para o crescimento populacional
A população estrangeira residente na Madeira voltou a crescer em 2025, atingindo um máximo histórico de 19.371 pessoas e representando já 7,3% da população total da Região. Os dados divulgados esta quarta-feira pela Direcção Regional de Estatística da Madeira (DREM) mostram que o número de residentes estrangeiros mais do que duplicou nos últimos quatro anos, consolidando o papel da imigração no crescimento demográfico regional.
De acordo com as Estimativas da População Residente, a Região Autónoma da Madeira contabilizava, em 31 de Dezembro de 2025, um total de 266.130 residentes, dos quais 19.371 tinham nacionalidade estrangeira. Trata-se do valor mais elevado da série estatística disponível para o período entre 2021 e 2025.
Face a 2024, o número de estrangeiros residentes aumentou em 1.779 pessoas, o equivalente a uma subida de 10,1%. Em contrapartida, a população de nacionalidade portuguesa registou uma ligeira diminuição de 349 residentes, passando de 247.108 para 246.759 pessoas.
A DREM sublinha que esta evolução confirma a crescente importância dos movimentos migratórios para o crescimento da população residente na Região, contribuindo para compensar o saldo natural negativo e para reforçar a população em idade activa.
Entre 2021 e 2025, a população estrangeira aumentou de 7.423 para 19.371 pessoas, o que corresponde a um acréscimo de 11.948 residentes e a uma taxa de crescimento de 161%. No mesmo período, o peso dos estrangeiros no total da população residente passou de 2,9% para 7,3%.
Madeira continua a ter das menores proporções de estrangeiros do País
Apesar deste crescimento expressivo, a Madeira continua a apresentar uma das menores proporções de residentes estrangeiros do país. Em 2025, era a segunda região NUTS II com menor peso de população estrangeira, apenas atrás dos Açores, onde os estrangeiros representavam apenas 3,8% dos residentes. No extremo oposto surgiam o Algarve, com 27,9%, e a Grande Lisboa, com 22,6%.
A população estrangeira residente na Madeira era composta por 11.070 homens e 8.301 mulheres, correspondendo respectivamente a 57,1% e 42,9% do total, o que evidencia um predomínio masculino.
O Funchal continuava a concentrar mais de metade dos estrangeiros residentes na Região. Em 2025, o concelho contabilizava 10.193 cidadãos estrangeiros, o equivalente a 52,6% do total regional. Seguiam-se Santa Cruz, com 2.291 residentes estrangeiros, Calheta com 1.430, Machico com 1.170 e Câmara de Lobos com 1.090.
Porto Santo com maior peso de estrangeiros na população local
Em termos proporcionais, o Porto Santo destacava-se como o município com maior peso de estrangeiros na população residente, atingindo 13,6%. Seguiam-se a Calheta, com 12,3%, o Funchal, com 9%, e a Ponta do Sol, com 7,8%.
Desde 2021, os maiores aumentos absolutos de população estrangeira registaram-se no Funchal, que ganhou mais 6.300 residentes estrangeiros, seguido de Santa Cruz (+1.236), Machico (+888), Câmara de Lobos (+763) e Porto Santo (+621). Já Santana e Machico foram os concelhos onde o crescimento relativo foi mais expressivo, tendo a população estrangeira mais do que quadruplicado.
Comunidade venezuelana é a mais representativa: 15,5% da população
A comunidade venezuelana manteve-se como a mais representativa na Madeira, com 3.004 residentes, correspondendo a 15,5% da população estrangeira. Seguiam-se os cidadãos brasileiros (1.963), nepaleses (1.534), alemães (1.354) e britânicos (1.192).
Os venezuelanos foram também os que mais contribuíram para o crescimento da população estrangeira entre 2021 e 2025, seguidos pelos cidadãos do Nepal, Brasil, Alemanha e Ucrânia.
Os dados da DREM revelam ainda uma crescente diversificação das origens dos residentes estrangeiros na Região. Além das comunidades tradicionalmente mais numerosas, como as do Brasil, Reino Unido e Alemanha, verificaram-se aumentos significativos de cidadãos oriundos de países asiáticos, nomeadamente Nepal, Bangladeche e Índia, bem como de vários países africanos, entre os quais São Tomé e Príncipe, Moçambique, Guiné-Bissau e Cabo Verde.