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Guerra no Irão Mundo

Israel e Hezbollah prosseguem ataques apesar de trégua de Trump

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Foto EPA/ATEF SAFADI

Israel e o grupo xiita Hezbollah prosseguiram hoje os confrontos no sul do Líbano, apesar das garantias do Presidente norte-americano, Donald Trump, de que tinha obtido um compromisso de uma trégua de ambos os lados.

O exército israelita atacou hoje cerca de 20 locais no sul do Líbano, de acordo com a agência oficial de notícias libanesa, NNA.

As forças israelitas lançaram uma série de ataques contra a cidade libanesa de Nabatieh e outras cidades vizinhas, região onde intensificou a sua ofensiva nos últimos dias, tendo cruzado o rio Litani, que era a anterior demarcação das operações militares no sul do Líbano

As tropas israelitas já chegaram a cerca de oito quilómetros a sul de Nabatieh, depois de no domingo reivindicarem a captura da fortaleza de Beaufort, também do lado norte do rio Litani.

O Hezbollah reivindicou por sua vez vários ataques contra os militares israelitas que ocupam parte do sul do Líbano, mas não mencionou qualquer ofensiva contra o norte de Israel, embora Israel tenha anunciado que intercetou dois projéteis.

O Presidente norte-americano anunciou na segunda-feira ter obtido garantias do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e do Hezbollah de uma trégua, que incluía a suspensão da ordem do chefe de Governo israelita do bombardeamento do bairro de Dahieh, na periferia sul de Beirute e um bastião do grupo xiita apoiado pelo Irão.

"Israel não os atacará e eles não atacarão Israel", declarou o líder norte-americano, que disse ter obtido também a garantia de Netanyahu de que as tropas israelitas não chegarão a Beirute.

A embaixada do Líbano em Washington confirmou ter recebido a adesão do Hezbollah à proposta de trégua e que o acordo se aplicava a todo o país.

Pouco depois, o primeiro-ministro israelita afirmou que Israel atacará Beirute se o seu país voltar a ser visado pelo Hezbollah, ao mesmo tempo que indicou que "as Forças de Defesa de Israel continuarão a operar como planeado" no sul do Líbano. 

No seguimento deste pronunciamento, o jornal digital Axios noticiou hoje que o Presidente norte-americano destratou o primeiro-ministro israelita, afirmando que está "doido" e que impediu que fosse preso pelas acusações que enfrenta na justiça de fraude, abuso de confiança e corrupção.

Já hoje, o ministro da Defesa de Israel disse ter obtido o aval de Washington para bombardear os subúrbios de Beirute, se for atacado pelo Hezbollah.

O Hezbollah indicou pelo seu lado que não aceitará um "cessar-fogo parcial", segundo Mahmoud Qomati, alto dirigente do grupo xiita citado pela agência France Presse (AFP).

Apesar da tensão, representantes libaneses e israelitas retomaram hoje as negociações de paz em Washington, numa ronda de diálogo patrocinada pelos Estados unidos que se prolonga até quarta-feira.

A escalada militar no Líbano levou o Irão a suspender na segunda-feira as conversações de paz com Washington e que estão ligadas ao conflito entre Israel o Hezbollah.

O Irão justificou a sua decisão com violações "em todas as frentes" do cessar-fogo acordado com Washington no início de abril, incluindo o Líbano.

No último mês, Hezbollah e Israel têm continuado os ataques aéreos e confrontos terrestres no sul do Líbano, apesar do cessar-fogo em vigor desde 17 de abril.

A trégua foi acordada entre Israel o Governo libanês em Washington, mas não era reconhecida pelo grupo xiita apoiado pelo Irão, tal como as negociações de paz israelo-libanesas em curso, com o patrocínio dos Estados Unidos.

O Líbano foi arrastado pelas milícias xiitas libanesas para a nova guerra na região ao reatarem, no início de março, ataques aéreos contra o território israelita.

Israel respondeu com bombardeamentos intensivos e expandiu as posições militares que já mantinha no sul do país vizinho durante o conflito anterior.

Desde 02 de março, pelo menos 3.468 pessoas morreram, segundo a última atualização do Ministério da Saúde libanês, em resultado dos ataques israelitas, que provocaram também acima de um milhão de deslocados.

As partes tinham estado em confronto no seguimento da guerra de Faixa de Gaza, entre outubro de 2023 e novembro de 2024, data de um cessar-fogo nunca verdadeiramente respeitado e que foi interrompido com o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irão.