BE considera discurso de Seguro abertura para intervenção política
O coordenador nacional do Bloco de Esquerda disse hoje que o discurso do Presidente da República nas comemorações do 10 de Junho é uma abertura para a intervenção política, mas avisou para a necessidade de ir mais além.
Em declarações à margem da Marcha pela Vida Independente, em Lisboa, o coordenador nacional do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, centrou-se na parte final da intervenção de António José Seguro - em que o Presidente de República falou da necessidade das "palavras do meio", que "se abrem como convite ao diálogo" em "tempos de trincheiras" - para criticar a falta de concretização.
"António José Seguro entendeu não dizer nenhuma dessas palavras. Fez a apologia das palavras do meio, mas não disse quais são", sublinhou José Manuel Pureza, apontando a igualdade, a justiça ou a dignidade como algumas das palavras que, para si, servem de "guia para intervenção política".
"Era muito importante que o Presidente da República desse concretização ao que chamou de palavras do meio, porque fica a ideia de que ao falar de palavras do meio esteja a fazer apenas a apologia de um centro que é um centro vazio de política", acrescentou o líder do Bloco de Esquerda.
José Manuel Pureza acrescentou não ter ficado desiludido com a intervenção do Presidente da República, que discursou hoje na ilha Terceira, nos Açores, assumindo que foram palavras de "uma abertura para a intervenção política".
Ainda assim, o coordenador nacional do Bloco de Esquerda disse sentir "necessidade de ir mais além e de dar concretização a palavras importantes".
O Presidente da República apelou à tolerância e à criação de pontes, contra "o vírus da polarização, que tende a substituir a argumentação, o debate e a negociação", referindo que a sua eleição "foi marcada pelo desejo de unir os portugueses e de unir Portugal".
"As ansiedades que sentimos na economia, na geopolítica, na segurança das cidades, na proteção dos mais desfavorecidos, nas questões muito concretas da vida das pessoas reais, criam esse impulso de fechar fileiras, de escolher um lado, de erguer muros", declarou.