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Madeira

Campo de golfe no Faial divide opiniões no debate promovido pelo JPP

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O JPP realizou, esta manhã, no Espaço Ideia (Assembleia Legislativa da Madeira), umas jornadas parlamentares dedicadas ao tema ‘Pensar o Território: Golfe e Sustentabilidade’, com especial foco na construção do campo de golfe no Faial. O debate, com pessoas oriundas de diversos quadrantes profissionais e políticos, ficou marcado pela falta de consenso sobre esta nova infraestrutura.

O primeiro interveniente foi João Ribeiro, economista que colabora com regularidade com o JPP, que, com recurso a indicadores económico, traçou um quadro desfavorável ao projecto. De acordo com este especialista, o retorno do investimento de 36 milhões de euros que o Governo Regional pretende fazer no campo de golfe “poderá variar entre 29 e 53 anos”. “À luz das funções de um Estado Social, a construção de um campo de golfe com dinheiros públicos não promove o bem-estar social, nem se trata de um activo estratégico”, afirmou. João Ribeiro vários outros motivos para ‘chumbar’ este projecto. Desde logo, “as externalidades positivas sobre a economia local afiguram-se residuais para justificar o investimento” e “a análise custo-benefício é claramente deficitária”. Por último, as infraestruturas regionais de suporte a um turismo de golfe são inadequadas. A este propósito, o economista lembrou que os jogadores de golfe constituem uma elite social, que não está disposta a sujeitar-se às contingências de operacionalidade do Aeroporto da Madeira, nem à sobrecarga de trânsito na Via Rápida e vias expresso.

Já Miguel de Sousa, antigo vice-presidente do Governo Regional e empresário, assumiu uma defesa acirrada do projecto do campo de golfe do Faial, tal como já tem feito noutros fóruns. Desde logo, disse não compreender o coro de críticas ao investimento público naquela obra, quando ao longo dos anos o Governo Regional fez estádios de futebol, marinas, jardins, complexos balneares, restaurantes, parques de campismo e pistas de karting. “Até aqui isto foi um forrobodó. Só quando chegou ao campo de golfe do Faial é que encalhou. Já é preciso dinheiro para o hospital, para habitação”, apontou o antigo governante e deputado, que associou as críticas aos interesses de uma pedreira instalada na zona.

Depois, Miguel de Sousa explicou que os outros três campos existentes na Madeira (Palheiro Golfe, Santo da Serra e, em breve, Ponta do Pargo) não têm aptidão para o golfe e surgiram “no local errado”, fruto de contingências diversas. Já “a Ribeira do Faial é o último lugar na Madeira onde se pode fazer um campo de golfe na Madeira” com boas condições, desde a orografia, ao clima e à abundância de água para regar a relva. Por outro lado, deixou claro que um campo de golfe é “um produto turístico e não tem nada de social” e não serve para os madeirenses jogarem. Por fim, destacou a importância de um campo de golfe na diversificação e fixação de actividade económica no concelho. “Santana precisa de investimento, não precisa de maçaroca e das casinhas onde as pessoas tiram fotografias”, rematou.

O antigo secretário regional do Turismo, João Carlos Abreu, admitiu que de golfe “nada” percebe mas que subscrevia “tudo” o que Miguel de Sousa acabara de afirmar. “Se a Madeira quer ser um destino de golfe, tem de ter mais do que um campo”, sublinhou, tendo lembrado o efeito multiplicador deste desporto noutros sectores económicos e na promoção turística. “O campo de golfe vai trazer vantagens para Santana”, acrescentou.

O empresário David Caldeira apresentou uma posição de meio-termo: é favorável à construção de um campo de golfe no Faial mas não apoia a aplicação de verbas públicas na sua construção, que deve ser de iniciativa privada. Este antigo deputado do PS reconheceu que aquela infraestrutura desportiva pode trazer dinâmica à costa norte da Madeira e, para a sua viabilização económica, sugeriu a edificação de um projecto imobiliário nos terrenos limítrofes. O sector público até poderá apoiar a construção do campo de golfe, não com financiamento, mas antes com medidas administrativas, como a declaração de interesse turístico, facilitando o processo de expropriação de terrenos.

Na abertura destas jornadas parlamentares, o secretário-geral do JPP, Élvio Sousa, reafirmou que o seu partido tem “uma posição aberta” sobre o tema do campo de golfe no Faial e tem optado por ouvir as diferentes partes. Aproveitou para anunciar que, no primeiro trimestre do próximo ano, o JPP vai apresentar uma proposta de regime fiscal próprio para a Madeira. Para o efeito, será constituída uma equipa técnica.