Macron condena ataques no Golfo e envia porta-aviões para Ormuz
O Presidente francês, Emmanuel Macron, condenou hoje os ataques contra infraestruturas civis nos Emirados Árabes Unidos e contra navios no golfo Pérsico, anunciando ainda o reforço da presença naval francesa no estreito de Ormuz.
Macron transmitiu essas posições durante uma conversa telefónica com o Presidente iraniano, Massud Pezeshkian, indicou a Presidência francesa.
O chefe de Estado francês denunciou "os ataques injustificados contra infraestruturas civis" nos Emirados Árabes Unidos e "contra vários navios", numa referência aos incidentes registados nas últimas semanas no golfo e no estreito de Ormuz.
Durante a conversa, Macron sublinhou igualmente "a utilidade" da missão multinacional preparada pela França e pelo Reino Unido para garantir a segurança da navegação naquela rota estratégica.
"Convidei o Presidente iraniano a aproveitar esta oportunidade e pretendo discutir este assunto com o Presidente [dos Estados Unidos, Donald] Trump", escreveu Macron nas redes sociais.
Entretanto, o Ministério das Forças Armadas francês confirmou já que o porta-aviões "Charles de Gaulle" atravessou o canal do Suez rumo ao sul do mar Vermelho.
O "Charles de Gaulle" transporta cerca de 20 caças Rafale e é acompanhado por várias fragatas.
Inicialmente destacado para o Atlântico norte, o grupo naval foi redirecionado em março para o Mediterrâneo oriental devido ao agravamento das tensões entre Israel, Irão e Estados Unidos.
O Ministério das Forças Armadas francês indicou que a presença do porta-aviões vai permitir avaliar o ambiente operacional regional e acelerar o eventual lançamento da missão multinacional de segurança marítima.
Para Paris, o destacamento do navio pretende demonstrar que a coligação liderada pela França e pelo Reino Unido está preparada para garantir a segurança do estreito de Ormuz, bloqueado pelo Irão desde o início do conflito regional em 28 de fevereiro.
A Presidência francesa indicou que mais de 40 países participam nos trabalhos de planeamento da missão, coordenados em Londres.
A França defendeu que a questão da reabertura do estreito de Ormuz deve ser tratada separadamente das negociações entre Washington e Teerão sobre o conflito regional.
Segundo responsáveis franceses, Paris propôs ao Irão a possibilidade de voltar a utilizar livremente o estreito para exportação de petróleo, caso Teerão aceite participar em negociações substanciais com os Estados Unidos.
Ao mesmo tempo, França pediu a Washington que suspenda o bloqueio aos portos iranianos e facilite um ambiente favorável às negociações.
O bloqueio iraniano do estreito de Ormuz mantém-se apesar do cessar-fogo que entrou em vigor a 08 de abril.