Paisagem vai deixando de ser "parente pobre" nas políticas ambientais
A paisagem vai deixando de ser o "parente pobre" nas políticas ambientais e na atenção que é dada por autarquias e outras entidades públicas, disse hoje à Lusa o presidente do Laboratório da Paisagem, em Guimarães.
Segundo Carlos Ribeiro, que falou à Lusa à margem do arranque do Fórum da Paisagem, no seio da programação da Guimarães'26 -- Capital Verde Europeia, a atenção dada ao tema tem mudado.
"Tendencialmente, olha-se hoje para a paisagem de um modo diferente. É evidente que durante algum tempo, foi sendo esse parente pobre, mas hoje percebe-se que nenhum território se desenvolve sem uma visão integrada, holística, (...) quer no que pode contribuir do ponto de vista dos diversos indicadores ambientais, quer por poder atuar em muitas áreas", afirma.
Da qualidade do ar à saúde mental, da alimentação ao físico, muito pode passar pela gestão paisagística, "um conjunto de pilares absolutamente essenciais que não podem ser, de facto, olhados sem que se perceba que a paisagem tem um peso muito determinante, inclusive no desenho de cidades".
"Hoje, e já não estou a falar apenas dos instrumentos de ordenamento e de políticas do território, porque de alguma forma vão existindo e sempre existiram, há um olhar diferente do ponto de vista político para a paisagem e para o potencial da paisagem, não só com o ordenamento do território, mas acima de tudo com os benefícios que daí podem advir para os mais variados setores", reforça.
No Fórum da Paisagem, que vai na 15.ª edição, discute-se até sábado a multiplicidade de perspetivas sobre o tema, com participantes de 17 países diferentes, oradores de várias áreas do conhecimento e propostas de estudantes "para os desafios das paisagens de Guimarães".
"Uma discussão que fomente, também, cooperações entre as várias áreas de saber, mas que pudessem discutir aquilo que queremos ser enquanto cidades, e não só enquanto cidades, enquanto territórios. Este tipo de eventos focam a importância das relações urbano-rurais, sistemas alimentares, o potencial da paisagem como sumidouro de carbono, como podemos aumentar a conectividade dos espaços verdades, criar cidades com a paisagem como parte central da transformação", refere.
O Laboratório da Paisagem tem tido, ainda, o desígnio de olhar para a importância "da educação ambiental para a sustentabilidade", procurando que as pessoas "percebam melhor o mundo que as rodeia", sem encarar a paisagem como "só passivo e estético".
"Que percebam que também fazemos parte dela. (...) A paisagem como uma forma de desenharmos territórios com as pessoas e para as pessoas, ou seja, termos também o cidadão no centro de todas estas decisões", acrescenta.
A informação científica que produzem ajuda, por sua vez, a "suportar decisões políticas" que têm consequências no próprio território, "da construção de uma rua à construção de um parque".