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A Guerra Mundo

Líder do parlamento ucraniano pede continuação do apoio dos deputados portugueses

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Foto EPA/ANTONIO PEDRO SANTOS

O presidente do parlamento ucraniano agradeceu hoje na Assembleia da República, em Lisboa, a solidariedade de Portugal após mais de quatro anos de guerra e pediu a continuação do apoio dos deputados portugueses pela "liberdade da Europa".

Ruslan Stefanchuk foi recebido de pé pelos parlamentares portugueses, com a ausência do PCP, antes de expressar a sua gratidão, num discurso no início da sessão plenária, pela "solidariedade que não conhece distâncias nem fronteiras" desde o início da invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022.

"Muito obrigado por todas e cada uma das decisões tomadas nestas paredes em apoio à Ucrânia, pela condenação da invasão russa e da ocupação dos nossos territórios (...). Muito obrigado pelo apoio abrangente aos ucranianos, pela vossa empatia, pela proximidade, apesar da aparente distância geográfica", declarou, referindo-se também à solidariedade pela situação das crianças raptadas pela Rússia.

"É também uma manifestação de grande humanidade e sensibilidade", afirmou, ao defender que Portugal e a Ucrânia "são os postos avançados da Europa continental", nos seus flancos ocidental e oriental.

Sobre o seu país, o presidente da Verkhovna Rada (parlamento) disse que desempenha o papel de "guardião oriental da Europa", na fronteira onde o continente acaba e começa o que definiu como "um abismo mental, existencial, civilizacional", aludindo à Rússia, e também o local por onde passa "a linha de confronto entre a vida e a morte, entre o direito de escolha e a ditadura totalitária".

O político ucraniano recordou a Revolução de 25 de Abril, que abriu a via da democracia e da Europa, numa demonstração de que "nenhum império, nenhuma ditadura consegue parar um povo que aspira à liberdade", deixando uma nova referência à resistência à invasão russa: "Mais de 50 anos depois, a Ucrânia segue o vosso caminho".

No seu discurso, Ruslan Stefanchuk reconheceu a existência de fadiga de guerra, mas sugeriu aos deputados portugueses que dirijam os seus pensamentos para um soldado ucraniano numa trincheira em Kupyansk ou Kostiantynivka, nas frentes ativas de combate.

"Ele também está cansado. Não vê a sua família há longos meses. Dorme em terra gelada. Mas não abandona a sua arma, porque sabe: se desistir, o seu país deixará de existir. Se a Europa desistir, deixará de existir o mundo livre que procuramos construir", alertou, ao afastar o direito ao cansaço "enquanto o mal não for derrotado".

Do mesmo modo, contrariou os céticos dos efeitos das sanções internacionais à Rússia, quando alegam que atingem as suas próprias economias e que talvez seja tempo de alcançar um compromisso com Moscovo.

"Um compromisso com um tirano é sempre uma guerra adiada. As sanções não são apenas um instrumento económico, elas destinam-se a travar a máquina de guerra russa e a Rússia deve pagar por cada dia desta agressão", declarou o líder da Verkhovna Rada, pedindo aos eleitos portugueses firmeza nesta questão, que "é uma arma não menos poderosa do que a artilharia".