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Corina Machado prepara regresso e quer eleições livres em 12 meses

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Foto AFP

A líder opositora venezuelana María Corina Machado disse hoje em Los Angeles que quer eleições livres em 12 meses e está a preparar o regresso à Venezuela, apesar de temer pela sua segurança. 

"O povo venezuelano acredita que haverá uma eleição que trará mudança", afirmou, durante uma sessão sobre o futuro da Venezuela conduzida pelo jornalista Fareed Zakaria na abertura da Milken Global Conference, que decorre até quarta-feira em Los Angeles.

"Acredito que isto deve acontecer dentro dos próximos 12 meses", sublinhou. 

Machado, que saiu em segredo da Venezuela em dezembro de 2025, indicou também que vai regressar ao país "muito em breve", apesar de temer pela sua segurança. "Todos os venezuelanos têm consciência sobre a sua segurança dentro e fora da Venezuela", apontou. 

Questionada sobre o encontro com o Presidente norte-americano, Donald Trump, a quem entregou a medalha correspondente ao Nobel da Paz que tinha recebido, Machado salientou o papel da administração na mudança de regime na Venezuela. 

"A administração do Presidente Trump é a única que arriscou as vidas de alguns dos seus cidadãos pela liberdade da Venezuela", declarou, numa referência à intervenção militar de 03 de janeiro de 2026 na qual o ex-líder venezuelano Nicolás Maduro foi capturado.

"Isso é algo pelo qual estaremos sempre gratos", afirmou. 

Sobre a entrega da medalha do Nobel da Paz 2025, Corina Machado disse a Trump que foi o povo venezuelano que mereceu a distinção e ela é apenas uma pessoa de milhões. 

"Como parte deste movimento, apresentámos-lhe a medalha como reconhecimento do que fez e o que fará pela liberdade da Venezuela", contou. 

Machado classificou a operação militar de janeiro como perfeita, tendo levado, na sequência, à libertação de presos políticos. Por outro lado, a população começa a poder falar e manifestar-se.

"É uma energia que está a crescer", afirmou, considerando que foi aberta uma janela para a liberdade. 

No entanto, a dirigente opositora salientou que a situação no país está "muito instável" e serão necessários investimentos maciços para reformar o sistema eleitoral e utilizar os recursos naturais do país para pôr a economia a funcionar. 

Quando houver um novo governo eleito, Machado disse que a prioridade será restaurar o estado de direito, fazer um acordo com o Fundo Monetário Internacional para reestruturar a dívida e fazer grandes investimentos em infraestruturas, bem como conseguir o retorno da diáspora. 

"Precisamos dos milhões de venezuelanos que saíram e foram forçados a sair", indicou. 

Machado realçou que é preciso estabelecer em breve o calendário eleitoral para que os investidores apostem no país, afirmando querer a privatização total da produção de petróleo e gás natural.

A reconstrução da economia será um pilar fundamental, apontou, referindo que 86% da população vive na pobreza e a inflação atingiu 630% no mês passado. 

"Vamos reconstruir a nação do zero, porque não restam instituições", declarou.

"Seremos a primeira nação construída na era da Inteligência Artificial", acrescentou, algo que dará à Venezuela a oportunidade de dar um salto mais rápido que outros países. 

"A tecnologia será uma das maiores alavancas para avançarmos", considerou. 

A líder da oposição também referiu que aqueles que cometeram crimes no regime atual terão de ser punidos, enquanto para os outros haverá um esforço de conciliação para a transição democrática. 

A Milken Global Conference decorre até 06 de maio em Beverly Hills, Los Angeles, com chefes de Estado, representantes diplomáticos, empresários e investidores de todo o mundo.